Fique por dentro da Lei

Lauril - O Mito

Quem já não ouviu dizer que o Lauril, aquele composto químico utilizado para produzir espuma, pode causar câncer?

Pois é. Essa informação foi muito divulgada, causando um mal estar entre fabricantes e consumidores, já que, como produto cancerígeno, deveria ser retirado imediatamente da composição de xampus, sabonetes e outros produtos cosméticos e de higiene pessoal.

Tudo surgiu com uma suposta consulta feita por um também suposto consumidor a um fabricante de produtos de higiene e cosméticos. Em resposta, esse tal consumidor diz que a indústria consultada apenas respondeu que “não poderiam fazer nada, pois precisam dela para produzir espuma e continuariam a usar o tal Lauril”.

Com tal informação veiculada principalmente na Internet, com o envio de e-mails sobre o risco eminente com a utilização do composto químico, surgiu o mito: Lauril causa câncer!

E como todo mito, a informação veiculada pela Internet também agregou outras lendas, quais sejam: Lauril foi definitivamente retirado da composição de xampus e sabonetes, foi proibida a utilização e comercialização de Lauril, entre outras.

A fim de colocar um ponto final nessa lenda, a ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, formulou um parecer sobre esse tema, a seguir transcrito:

- Sobre o composto químico:
O lauril sulfato de sódio, designação genérica empregada para o Dodecil Sulfato de Sódio, é um composto orgânico devidamente registrado no Chemical Abstract Service (CAS) sob o número 151-21-3. O Lauril Éter Sulfato de Sódio apresenta, como registro de CAS, o número 1335-72-4.

Estes compostos vêm sendo usado ao longo dos anos para diferentes finalidades e usos distintos a saber, banhos de espuma, cremes emolientes, cremes depilatórios, loções para mãos, xampus, dentifrícios, além de produtos saneantes (detergentes domissanitários). Este uso tem sido motivado em razão das suas propriedades detergente, molhante, espumógena, emulsificante e solubilizante. Cabe ressaltar que estas características são comuns à todos os tensoativos e não somente aos dois em questão.
Alguns tensoativos apresentam potencial de irritação à pele, no entanto, em formulações cosméticas, essa característica pode ser atenuada em função da concentração utilizada, da associação entre os mesmos, bem como das características da formulação pretendida para o produto final.
- Sobre o resultado da Pesquisa:
1 - Os dados propagados pela Internet não apresentam as publicações científicas que sustentam as afirmações feitas;
2 - Lauril sulfato de sódio, lauril éter sulfato de sódio, lauril sulfato de amônio e lauril éter sulfato de amônio, não constam da lista de produtos carcinogênicos do National Toxicology Program (Maio/2000) e nem do IARC - International Agency for Research on Câncer (Março/1999), este último, laboratório criado pela Organização Mundial da Saúde, sediado na França;
3 - Com base nos dados apresentados acima, até o presente momento, não constam informações técnicas e científicas relativas ao potencial carcinogênico dos tensoativos lauril sulfato de sódio e lauril éter sulfato de sódio.

Ficou, então, devidamente comprovado que o Lauril não consta da lista de produtos considerados cancerígenos, como também não constam quaisquer informações técnicas e científicas sobre esse tema, sendo a sua utilização e comercialização permitida por portaria da própria Vigilância Sanitária.
Assim, quando perguntarem sobre a utilização do Lauril na composição de seu produto de higiene pessoal ou cosmético, fique certa e tranqüila que esse composto químico é permitido por Lei e não existe qualquer embasamento científico que comprove que o mesmo é cancerígeno.

Fernanda Sendra

voltar