COMO CRIAR A IDENTIDADE DE COLEÇÕES MASCULINAS
Olá, amadas!
Quando o Dia dos Pais começa a se aproximar, muitas pessoas que trabalham com cosmética artesanal entram naquele momento delicioso de pensar em uma nova coleção. Escolhem fragrâncias, observam embalagens, pesquisam referências, imaginam kits e começam a visualizar tudo pronto. Ao mesmo tempo, também surge uma dúvida bastante comum: como criar uma linha masculina que respeite a data, seja comercial e tenha personalidade, sem ficar presa aos mesmos estereótipos de sempre?
Essa é uma pergunta muito importante, porque trabalhar com uma data sazonal exige equilíbrio. Precisamos compreender o universo da ocasião e criar uma proposta que seja facilmente reconhecida pelo público, mas isso não significa repetir fórmulas prontas ou acreditar que tudo o que é masculino precisa ser preto, azul-marinho, amadeirado e acompanhado por um desenho de bigode né? (rsrsrs).
Minha senhora, tenha calma com esse bigode! Dependendo do conceito, ele pode funcionar, mas não é ele que vai construir sozinho a identidade de uma coleção.
O masculino contemporâneo é muito mais amplo do que isso. Existem homens clássicos, esportivos, urbanos, românticos, discretos, expansivos, ligados à natureza, apaixonados por carros, gastronomia, viagens, música, tecnologia ou pelo conforto da própria casa. Existem pais que usam perfumes intensos, outros que preferem fragrâncias leves e limpas, e aqueles que compartilham perfumes, cosméticos e produtos para a casa sem qualquer preocupação com a classificação escrita no rótulo.
Por isso, criar uma coleção para o Dia dos Pais não começa pela pergunta “qual cor parece masculina?” ou “qual essência os homens usam?”. O processo começa quando observamos para quem estamos criando e definimos qual história queremos contar. A partir daí, fragrâncias, cores, produtos, embalagens e textos passam a seguir a mesma direção, formando uma coleção que respeita a sazonalidade, mas sem perder originalidade.
Bora entender?!
O MASCULINO VAI MUITO ALÉM DOS ESTEREÓTIPOS
Durante muitos anos, a comunicação voltada ao público masculino foi construída dentro de um repertório bastante limitado. Quase tudo precisava remeter a força, velocidade, aventura, couro, metal ou madeira escura.
Esse imaginário ainda existe e pode ser muito interessante quando conversa com a persona escolhida, mas deixou de ser a única forma possível de representar um homem.
Hoje, o cuidado pessoal masculino ocupa um espaço muito mais amplo. Muitos homens se interessam por perfumaria, produtos para a pele, experiências de banho, fragrâncias para a casa e pequenos rituais de bem-estar. Outros talvez não tenham o hábito de comprar esses itens para si, mas gostam de recebê-los quando o produto apresenta praticidade e uma proposta que faça sentido para sua rotina.
Isso nos permite explorar caminhos muito diferentes dentro de uma coleção de Dia dos Pais. Uma linha clássica pode trabalhar madeiras, especiarias, âmbar, tons profundos e acabamentos mais sóbrios. Uma proposta contemporânea pode utilizar fragrâncias aromáticas, cítricas ou aquáticas, acompanhadas por embalagens limpas e uma paleta de cores mais clara. Um conceito ligado à natureza pode reunir ervas, folhas, raízes, madeiras claras, verdes secos e texturas orgânicas. Já uma coleção inspirada no universo urbano pode explorar cinzas, metais, contrastes gráficos e perfumes mais frescos ou marcantes.
Nenhuma dessas possibilidades é mais masculina do que a outra. O que define a identidade é a coerência entre a persona escolhida e as decisões tomadas durante o projeto. Quando todos os elementos contam a mesma história, o público reconhece naturalmente para quem aquela coleção foi criada.
O problema aparece quando tentamos reunir todos os símbolos masculinos dentro de uma única proposta. Colocamos madeira, couro, preto, carro, whisky, gravata e uma barba desenhada no rótulo, como se o pobre do homem precisasse carregar o departamento masculino inteiro nas costas. O resultado costuma ser uma coleção genérica, porque existem referências demais e uma história de menos.
A melhor saída continua sendo aquela que estamos construindo ao longo de todos os nossos projetos: escolher um caminho, aprofundá-lo e permitir que cada detalhe contribua para o mesmo universo.
ANTES DOS PRODUTOS, ENTENDA QUEM É ESSE HOMEM
Antes de decidir quais itens farão parte da coleção, precisamos definir quem é o homem representado por ela. Não se trata necessariamente de retratar uma única pessoa real, mas de construir uma persona que ajude a organizar as escolhas.
Talvez esse homem seja um pai mais clássico, que valoriza qualidade, tradição e produtos capazes de permanecer na rotina. Ele pode gostar de fragrâncias amadeiradas, de uma apresentação elegante e de objetos com acabamento cuidadoso. Nesse caso, a coleção poderia trabalhar castanhos, verde profundo, cinza, vinho ou azul fechado, além de materiais que transmitam textura e sobriedade.
Em outra proposta, podemos imaginar um pai jovem, contemporâneo e prático, que vive uma rotina acelerada e prefere produtos de uso simples. Essa persona talvez combine melhor com fragrâncias frescas, aromáticas ou cítricas, embalagens funcionais, cores limpas e itens que possam acompanhar o dia a dia, como gel de banho, perfume, home spray ou perfume para carro.
Também podemos criar uma coleção inspirada naquele pai que gosta de estar em casa, preparar uma boa refeição, ouvir música e receber a família. Nesse universo, velas aromáticas, difusores, sprays para ambiente e produtos de banho podem ganhar muito valor, porque passam a fazer parte da experiência que ele já aprecia.
Quando essa persona está clara, começamos a entender não apenas quais produtos ela usaria, mas também como o presente será escolhido. E aqui existe um detalhe muito importante: no Dia dos Pais, quem utiliza o produto nem sempre é quem realiza a compra. Na maioria das vezes, a coleção será escolhida por uma filha, uma esposa, um filho, uma nora ou alguém que deseja demonstrar carinho.
Isso significa que a comunicação precisa ajudar essa pessoa a reconhecer para quem aquele presente foi pensado. Em vez de apresentar apenas o nome da fragrância ou uma lista de ingredientes, descreva o estilo de homem que a coleção representa. Mostre que aquela proposta foi criada para o pai de presença serena, para o homem que transforma a própria casa em refúgio, para quem valoriza praticidade ou para aquele que gosta de viver cada detalhe com elegância.
Quando a compradora consegue olhar para o produto e pensar “isso é a cara dele”, uma parte muito importante da venda já aconteceu.
FRAGRÂNCIAS COMPARTILHÁVEIS TAMBÉM PODEM CONSTRUIR UMA LINHA MASCULINA
Uma dúvida comum durante a criação de uma coleção para o Dia dos Pais envolve o uso de fragrâncias compartilháveis ou classificadas como unissex. Muitas artesãs acreditam que precisam trabalhar exclusivamente com essências tradicionalmente masculinas para que a linha seja reconhecida como tal. Na prática, essa divisão pode ser muito mais flexível.
A perfumaria contemporânea vem ampliando cada vez mais suas fronteiras. Muitas pessoas escolhem perfumes pelo que sentem, e não pela categoria indicada na embalagem. Notas florais, adocicadas, cítricas, aromáticas e amadeiradas podem aparecer em composições masculinas, femininas ou compartilháveis, dependendo da forma como são combinadas e apresentadas.
Um floral, por exemplo, não precisa conduzir automaticamente a uma leitura feminina. Quando combinado com madeiras, especiarias, folhas verdes, almíscares ou notas aromáticas, ele pode assumir um perfil elegante, limpo e muito contemporâneo. Uma baunilha, quando equilibrada com âmbar, couro, madeiras ou acordes defumados, pode ganhar profundidade e deixar de ser percebida apenas como doce. Da mesma forma, uma fragrância cítrica pode se tornar muito mais sofisticada quando acompanhada por ervas, vetiver, musgo ou elementos amadeirados.
Portanto, uma essência compartilhável pode funcionar perfeitamente em uma coleção de Dia dos Pais. O ponto principal é observar a leitura que ela assume dentro do conjunto. A paleta de cores, os materiais, os produtos escolhidos, a fotografia e a linguagem da comunicação ajudam a posicionar aquela fragrância no universo masculino construído pelo projeto.
O que não podemos fazer é utilizar a classificação “unissex” como uma desculpa para abandonar o tema. Se estamos criando para uma data específica, a coleção precisa continuar conectada ao Dia dos Pais e à persona que definimos. A fragrância pode ser compartilhável, mas a história precisa ter direção.
Inclusive, essa versatilidade pode se transformar em um argumento interessante de venda. Você pode apresentar a composição como uma fragrância contemporânea, equilibrada e capaz de agradar diferentes perfis, sem retirar dela a identidade construída para a ocasião. Isso amplia as possibilidades de uso e pode fazer com que o presente continue circulando pela casa, sendo apreciado por outras pessoas da família.
PRODUTOS, CORES E ACABAMENTOS PRECISAM FALAR A MESMA LÍNGUA
Depois de definir a persona e a direção olfativa, chega o momento de escolher os produtos que irão compor a coleção. E aqui vale lembrar uma regra que serve para qualquer projeto: uma linha não precisa reunir tudo aquilo que você sabe produzir. Ela precisa reunir o que faz sentido para a história e para a vida de quem irá receber o presente.
Sabonetes artesanais, gel de banho, sabonete líquido, perfume, body splash, balm para barba, óleo corporal, velas aromáticas, difusores, home sprays, perfumes para carro e sachês podem fazer parte de uma coleção masculina, desde que exista uma lógica entre eles.
Para uma persona mais prática, talvez uma linha pequena com gel de banho, perfume e pós barba seja suficiente. Para um homem que gosta de cuidar da casa, difusores, velas e home sprays podem formar uma proposta muito mais interessante do que um produto específico para barba. Já uma coleção ligada ao autocuidado pode combinar sabonetes, produtos de banho e perfumaria pessoal.
Também é importante oferecer diferentes possibilidades de presente. Um produto avulso bem apresentado pode atender quem deseja um mimo mais acessível, enquanto um kit intermediário e uma opção mais completa permitem trabalhar valores variados. O segredo está em criar combinações claras, para que a cliente compreenda rapidamente o que cada proposta oferece e para quem ela foi pensada.
A paleta cromática também precisa nascer da persona e da imagem de referência. Tons escuros podem comunicar profundidade e sofisticação, mas não são a única possibilidade. Off-white, areia, cinza-claro, azul acinzentado, verde-sálvia, terracota, castanho e até cores mais vivas podem participar de uma coleção masculina quando utilizadas com intenção.
Da mesma forma, materiais como madeira, vidro, metal, papéis texturizados, tecidos e acabamentos foscos ajudam a construir a atmosfera, mas não devem ser escolhidos apenas porque carregam uma aparência supostamente masculina. Um frasco preto não resolve um conceito confuso e uma tampa de madeira não substitui uma boa história.
A identidade aparece quando a cor dos produtos, os rótulos, as embalagens, as fitas, os cenários das fotografias e os materiais de divulgação seguem a mesma direção. O cliente talvez não consiga explicar tecnicamente por que tudo parece harmonioso, mas ele percebe quando existe coerência e sente quando uma coleção foi construída com cuidado.
A COMUNICAÇÃO TAMBÉM FAZ PARTE DA COLEÇÃO
Esta talvez seja uma das etapas mais esquecidas durante a criação de uma linha sazonal. Muitas pessoas constroem um conceito elegante, escolhem fragrâncias sofisticadas, desenvolvem uma paleta equilibrada e, no momento de escrever a descrição, voltam automaticamente para o próprio jeito cotidiano de se comunicar. É aí que mora o erro!
A personalidade da artesã é importante e deve aparecer na marca, mas a comunicação de cada coleção precisa respeitar a atmosfera que foi criada. Se a proposta é sóbria, clássica e refinada, o texto não pode parecer o anúncio de uma festa cheia de confete. Minha senhora, você pode ser animadíssima, falar alto, amar brilho e chegar fazendo amizade com todo mundo, mas, se criou uma coleção inspirada em um clube clássico, super calmo e sereno, precisa permitir que a escrita também entre naquele ambiente.
Isso não significa abandonar sua identidade ou assumir uma voz artificial. Significa adaptar o vocabulário, o ritmo e a forma de apresentar a coleção ao conceito daquele projeto.
Uma linha masculina jovem e descontraída pode aceitar uma comunicação mais leve, direta e bem-humorada. Uma proposta clássica pede palavras que transmitam presença, elegância, tradição e segurança. Uma coleção inspirada em natureza pode utilizar referências a frescor, raízes, paisagens, matéria e equilíbrio. Já uma linha mais intensa e noturna pode explorar profundidade, calor, mistério e sofisticação.
A descrição deve ajudar o público a imaginar a experiência. Em vez de dizer apenas que um perfume é amadeirado, conte como as madeiras constroem uma presença elegante e confortável. Em vez de apresentar um home spray apenas como um produto para perfumar, mostre como ele transforma o escritório, a sala ou o ambiente favorito daquele pai. A comunicação precisa apresentar a utilidade, mas também deve revelar a sensação que existe por trás do uso.
Outra armadilha comum é limitar toda a comunicação a frases genéricas de homenagem. Mensagens como “para o melhor pai do mundo” podem funcionar em tags, cartões ou pequenos detalhes da embalagem, mas não substituem uma descrição bem construída.
O texto de venda precisa unir emoção e informação. Ele deve ajudar a cliente a reconhecer o destinatário do presente, entender a fragrância, visualizar o uso e perceber o cuidado presente em cada escolha.
RESPEITAR A DATA NÃO SIGNIFICA PERDER A CRIATIVIDADE
Criar para o Dia dos Pais exige que a coleção mantenha uma conexão clara com a ocasião, mas isso não significa abandonar a criatividade ou reproduzir as mesmas referências todos os anos. O desafio está justamente em encontrar novas maneiras de representar o masculino, observando os diferentes homens que fazem parte da vida real.
Talvez a maior riqueza dessa data esteja na diversidade de histórias que ela reúne. Existem pais jovens e mais velhos, tradicionais e modernos, expansivos e discretos, biológicos ou construídos pelo afeto.
Existem homens que demonstram carinho com palavras, outros que demonstram cuidando, ensinando, preparando uma refeição, consertando alguma coisa ou simplesmente estando presentes.
Uma coleção pode nascer de qualquer uma dessas perspectivas, desde que saiba qual delas deseja contar. Quando a persona está clara, torna-se muito mais fácil escolher as fragrâncias, os produtos, as cores, os materiais e o tom da comunicação. Todas as decisões passam a formar uma linha contínua, evitando que o projeto seja apenas uma reunião de elementos considerados masculinos.
Antes de iniciar sua próxima coleção, observe os homens que existem ao seu redor. Procure compreender seus hábitos, seus gostos, os ambientes em que vivem e a maneira como gostam de ser cuidados. Depois, escolha uma história e sustente essa história até o final, permitindo que ela oriente a fragrância, a paleta, os produtos, os acabamentos, as fotografias e cada palavra utilizada para apresentar a linha.
Que este Dia dos Pais seja uma oportunidade para ampliar o nosso olhar e mostrar que o artesanal pode representar o universo masculino de muitas maneiras diferentes!!
E aí? Bora arrasar?!
Beijuuuuuuuuuu



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