JÁ É HORA DE PENSAR NO NATAL?
Olá, amadas!
Todo ano acontece a mesma coisa. Setembro chega, começam a aparecer as primeiras coleções natalinas, o varejo ensaia suas campanhas de fim de ano e sempre existe alguém que olha para tudo isso e pensa: “Mas já? Ainda estamos tão longe do Natal!”.
Para quem é consumidor, essa sensação faz todo sentido. A árvore ainda não foi montada, a ceia parece distante e talvez ninguém da família tenha começado a falar sobre presentes, mas para quem trabalha com produtos artesanais, porém, o calendário precisa funcionar de outra maneira.
Se você esperar o cliente sentir que o Natal chegou para só então começar a pensar na sua coleção, existe uma grande chance de estar iniciando o projeto quando já deveria estar preparada para vender.
E não estou dizendo isso apenas pela experiência de quem trabalha há muitos anos com datas sazonais. O próprio comportamento do consumidor mostra que o Natal comercial começa antes de dezembro.
Uma pesquisa lançada pelo Google, sobre o Natal de 2025, mostra que cerca de 5 em cada 10 brasileiros pretendiam começar as compras da temporada ainda no período da Black Friday, sendo 31% no chamado “esquenta” e 17% durante a própria data.
Outro levantamento, realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, apontou que 70% dos consumidores aproveitavam a Black Friday para adiantar pelo menos parte das compras de Natal.
Olha como isso muda a nossa leitura do calendário.
Se uma parcela tão grande do público já está comprando presentes em novembro, chegar à Black Friday ainda desenvolvendo produto, procurando embalagem ou preparando fotografia significa perder uma janela importante. Para quem produz artesanalmente, antecipação não é ansiedade e também não significa encher o estoque em setembro. Significa chegar ao momento em que o consumidor começa a comprar com o projeto pronto para encontrá-lo.
Bora comigo entender melhor?
O NATAL DE QUEM PRODUZ COMEÇA ANTES DO NATAL DE QUEM COMPRA
Uma das coisas mais importantes para quem trabalha com datas sazonais é compreender que existem dois calendários acontecendo ao mesmo tempo.
O consumidor pode começar a pensar seriamente nos presentes em novembro, esperar a primeira parcela do décimo terceiro, aproveitar a Black Friday ou deixar algumas compras para dezembro. Esse é o tempo de quem compra. O nosso precisa começar antes porque, quando a venda acontece, existe uma sequência inteira de decisões que já deveria estar resolvida.
Antes de colocar uma coleção diante do público, precisamos entender para quem queremos criar, definir um conceito, pesquisar referências, escolher fragrâncias, produtos, propriedades, cores, frascos e acabamentos. Depois vêm os testes, a compra dos materiais, a produção, a criação dos kits, a precificação, as fotografias e a comunicação.
E ainda precisamos considerar aquilo que nunca aparece no planejamento perfeito: fornecedor que atrasa, embalagem que acaba, cor que chega diferente da tela, receita que precisa de ajuste ou acabamento que simplesmente não funciona quando vemos tudo junto.
É por isso que setembro não é cedo para pensar no Natal. Dependendo da complexidade da coleção, pode ser exatamente o momento certo.
A Coleção Cores de Natal, que lançamos agora, mostra muito bem esse raciocínio. Ela foi construída em sete universos cromáticos: vermelho, dourado, prata, verde, azul, lilás e rosa e cada um recebeu sua própria combinação olfativa, um ativo fitoterápico, uma fragrância para velas e uma linguagem visual específica.
Quando vocês encontram uma coleção pronta, existe um percurso anterior de pesquisa, criação, testes e escolhas que não aparece de uma vez no produto final.
E a mesma lógica serve para quem vai criar uma coleção com três produtos dentro de casa. A escala muda, mas o processo criativo e de diversas tomadas de decisão continua existindo.
COMEÇAR CEDO NÃO SIGNIFICA PRODUZIR MUITO
Aqui mora uma confusão que precisamos resolver.
Quando eu digo que você pode começar o Natal em setembro, não estou falando para produzir cinquenta kits e deixá-los esperando dezembro chegar. A antecedência começa pelo projeto, e a produção entra no momento em que esse projeto já possui direção.
Você pode usar esse período para observar o seu público, decidir a proposta da coleção, testar fragrâncias, pesquisar embalagens e produzir algumas amostras. Uma primeira unidade de cada item pode mostrar muita coisa antes de você assumir uma produção maior.
Quando essas descobertas acontecem cedo, elas fazem parte do desenvolvimento. Quando acontecem com trinta unidades prontas e encomendas abertas, tornam-se problema.
Esse tempo também permite que a produção cresça de maneira mais inteligente. Você pode começar com uma quantidade menor, apresentar a coleção, observar a aceitação e repor conforme a procura e a sua capacidade.
A principal vantagem de se antecipar, portanto, não é produzir mais. É ter tempo para decidir melhor antes de produzir mais.
PLANEJE O NATAL DE TRÁS PARA FRENTE
Quando alguém me pergunta quanto tempo antes precisa começar, eu gosto de mudar a pergunta: quando você quer estar pronta para vender?
A partir daí, começamos a voltar no calendário.
Imagine que você queira chegar ao início de novembro com a coleção fotografada, divulgada e disponível para encomendas. Antes das fotos, precisa ter os produtos prontos. Para produzir, os materiais precisam ter chegado. Para comprar corretamente, você precisa saber quais materiais serão usados. E, para saber isso, o projeto já precisa ter sido construído.
É o famoso planejamento de trás para frente.
Para uma data tão importante como o Natal, começar a estruturar uma coleção com algo entre dois e três meses de antecedência costuma criar uma margem confortável para muitos pequenos negócios artesanais. Isso não precisa virar uma regra rígida. Uma linha com três produtos que você domina exige muito menos preparação do que outra com receitas novas, embalagens personalizadas, vários kits e uma grande expectativa de pedidos.
O tempo correto depende da realidade de cada negócio.
Se você produz apenas aos finais de semana, precisa considerar quantos dias reais de trabalho existem naquele calendário. Se depende de um fornecedor que leva quinze dias para entregar, esse prazo faz parte do seu planejamento. Se determinado produto exige maceração, cura, secagem ou qualquer outro período de espera, esse tempo também precisa entrar na conta.
E deixe alguma folga para os imprevistos. Um calendário que só funciona se absolutamente tudo acontecer exatamente como planejado provavelmente já começou apertado demais.
QUEM SE ANTECIPA CONSEGUE COMPRAR MELHOR
Existe uma consequência financeira muito importante nesse planejamento.
Quando deixamos tudo para a última hora, perdemos poder de escolha. Se o frasco que queríamos acabou, precisamos aceitar outra opção. Se determinado material precisa chegar urgentemente, podemos pagar um frete maior. Se nosso fornecedor habitual não consegue cumprir o prazo, talvez seja necessário comprar mais caro em outro lugar.
A urgência frequentemente custa dinheiro.
Com antecedência, você consegue pesquisar, observar o que já possui em estoque e entender quanto realmente deseja investir no projeto. Pode perceber, inclusive, que aquela coleção imaginada inicialmente com seis produtos funciona muito bem com quatro e exige um investimento muito mais saudável.
Isso não diminui a coleção. Melhora a decisão.
Também precisamos tomar cuidado com aquela ideia perigosa de que “Natal vende, então posso produzir bastante”. O potencial comercial da data é enorme, mas nenhuma expectativa de venda substitui planejamento. O tamanho da primeira produção precisa conversar com seu histórico, sua base de clientes, sua divulgação e sua capacidade de reposição.
Sonhe grande, minha senhora, mas não obrigue seu estoque a sonhar na mesma proporção antes de saber se o cliente vai acompanhar! Combinado?!
O CONSUMIDOR PESQUISA ANTES DE COMPRAR
A antecipação não serve apenas para termos o produto pronto. Ela também é fundamental para a comunicação.
Segundo o mesmo levantamento do Google sobre o Natal de 2025, oito em cada dez brasileiros pretendiam fazer pesquisas online antes de decidir quais presentes comprar. Essa jornada envolve comparação de preços, avaliações, vídeos, referências e descoberta de novas possibilidades.
Outro estudo da CNDL e do SPC Brasil mostrou que 82% dos consumidores que fariam compras de Natal pretendiam pesquisar preços, sendo a internet utilizada por 87% desse grupo e as redes sociais por 47%.
Isso é muito importante para quem possui uma pequena marca artesanal.
Seu cliente não aparece simplesmente em dezembro, vê um kit pela primeira vez e obrigatoriamente compra. Muitas vezes, antes disso, ele já pesquisou, salvou uma referência, comparou possibilidades, viu presentes de outras marcas e começou a formar uma ideia do que gostaria de entregar.
É por isso que a divulgação também precisa começar antes da fase mais intensa das vendas.
DIVULGAR CEDO NÃO É PASSAR TRÊS MESES DIZENDO “COMPRE AGORA”
Começar a falar do Natal em setembro ou outubro não significa passar todo esse período repetindo preço e chamada para venda.
A comunicação também pode amadurecer junto com a coleção.
No início, você pode apresentar a inspiração do projeto, compartilhar bastidores, mostrar um teste de cor, contar por que escolheu determinada fragrância ou revelar algum detalhe sem entregar tudo de uma vez. Nesse momento, o objetivo principal é apresentar aquele universo e começar a construir interesse.
Mais adiante, entram os produtos completos, as fotografias, os kits, as combinações possíveis e o catálogo. Quando chegamos à janela mais forte de compra, a comunicação naturalmente se torna mais comercial, com preços, condições, abertura de encomendas e prazos.
Em dezembro, a conversa muda novamente e pode se concentrar na pronta-entrega, nas últimas unidades e nos limites para pedidos.
Essa diferença é muito importante porque evita dois extremos: começar a vender tão cedo que o cliente ainda não está naquele momento ou esperar tanto que ele já tenha escolhido onde comprar.
O grande varejo utiliza essa lógica há muito tempo. As marcas começam a transformar vitrines, campanhas e ambientes antes que o consumidor esteja na véspera do Natal porque sabem que o desejo também precisa de algum tempo para ser construído.
Nós não precisamos reproduzir a escala de uma grande loja, mas podemos aprender com o princípio.
Quando você mostra uma vela sendo criada, uma paleta natalina, uma embalagem chegando ou um kit começando a tomar forma, pode fazer uma cliente pensar naquele momento: “Isso seria lindo para presentear”.
Talvez ela não compre naquele dia, mas sua marca passou a participar da decisão.
PERFUMARIA E COSMÉTICOS TÊM UM ESPAÇO IMPORTANTE NESSA DATA
E existe mais um dado especialmente interessante para nós.
Na pesquisa de intenção de compras da CNDL e do SPC Brasil para o Natal de 2025, perfumes e cosméticos apareceram entre as categorias mais desejadas, citados por 36% dos consumidores que pretendiam presentear. O estudo estimava ainda que mais de 124 milhões de consumidores iriam às compras naquele Natal.
Para quem trabalha com sabonetes, perfumes, aromatizadores, velas e cosmética artesanal, isso ajuda a mostrar que estamos inseridos em uma categoria que possui muita afinidade com o presente.
E o artesanal pode acrescentar algo especialmente interessante: personalização, construção sensorial, apresentação e possibilidade de criar produtos para diferentes valores de compra.
Uma cliente pode levar um pequeno sabonete bem apresentado para uma lembrança, montar um kit intermediário para alguém próximo ou escolher uma composição maior para um presente especial. Quando a coleção é bem planejada, conseguimos oferecer alternativas sem precisar criar dezenas de produtos diferentes.
CORES DO NATAL: REPERTÓRIO PARA COMEÇAR A PLANEJAR
É justamente por acreditar nessa preparação que nós já começamos a falar de Natal.
A Coleção Cores do Natal – Natal 2026 foi criada para ampliar o repertório de quem trabalha com cosmética criativa. Em vez de desenvolvermos uma única estética natalina, construímos sete interpretações diferentes da mesma época, passando pelo vermelho, dourado, prata, verde, azul, lilás e rosa. Cada uma possui sua própria identidade, mas todas mostram que a tradição pode ganhar novas leituras sem perder a conexão com aquilo que reconhecemos como Natal.
Apresentar essas ideias agora permite que vocês tenham tempo para olhar, selecionar e adaptar.
Você não precisa produzir as sete linhas e nem reproduzir exatamente aquilo que criamos. Talvez o vermelho faça muito sentido para o seu público e o rosa não. Talvez você encontre no azul uma referência maravilhosa para uma cliente específica ou use uma das composições apenas como ponto de partida para construir outra história.
Esse é o valor do repertório.
A referência chega antes para que exista tempo de transformá-la em um projeto próprio, em vez de simplesmente copiar uma ideia pronta quando a data já está em cima.
ENTÃO, QUANDO COMEÇA O SEU NATAL?
Se você chegou até aqui pensando que ainda está cedo, talvez agora consiga olhar para setembro de outra maneira.
Começar o Natal hoje não significa abrir encomendas amanhã. Pode significar definir a coleção que deseja criar, estudar o público, testar uma fragrância, pesquisar embalagens ou rever aquilo que funcionou e aquilo que sobrou no ano passado. Cada negócio estará em uma etapa diferente, mas o importante é identificar o que precisa acontecer agora para que, quando o consumidor estiver pronto para comprar, você também esteja pronta para vender.
Pegue um calendário e faça o exercício de trás para frente. Defina aproximadamente quando deseja abrir as vendas e distribua as etapas anteriores dentro das semanas disponíveis. Considere o tempo que você realmente possui para produzir, os prazos dos fornecedores, sua capacidade de atendimento e uma margem para os imprevistos.
Esse planejamento não tira a magia do Natal. Ele permite justamente que você viva essa temporada com mais controle, crie com cuidado e entregue aquilo que prometeu sem transformar dezembro numa corrida desesperada.
E se ainda estiver procurando referências para construir sua coleção, eu quero te convidar a assistir (ou rever) as lives de lançamento da Coleção Cores do Natal no nosso Instagram. Observe cada uma das sete propostas com um olhar de criação: veja como as cores, os perfumes, os ativos, os produtos e os acabamentos trabalham juntos para construir universos diferentes dentro da mesma data.
Use essas ideias para ampliar seu repertório e comece a planejar aquilo que realmente conversa com você e com os seus clientes.
Porque o Natal chega em dezembro para todo mundo, mas, para quem cria e transforma o artesanal em negócio, ele começa muito antes.
Bora começar?!
Beijuuuuuuuuuu!



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