EXTRATO DE CHÁ VERDE: UMA TRADIÇÃO MILENAR

Olá, Amadas!

Talvez você esteja acostumada a interagir com o chá verde só com ele dentro de uma xícara. Durante muito tempo, foi assim que ele conquistou o mundo. Mas quando essas mesmas folhas entram no universo da cosmética, a história ganha um novo caminho.

O Extrato de Chá Verde, obtido das folhas da Camellia sinensis, concentra componentes naturais que despertam enorme interesse para o cuidado da pele, principalmente por suas propriedades antioxidantes, adstringentes, purificantes e relacionadas ao equilíbrio da oleosidade. A própria classificação cosmética internacional reconhece o extrato das folhas de Camellia sinensis por funções de condicionamento da pele.

Por isso, hoje eu quero começar nosso blog exatamente pelo que você provavelmente veio procurar: por que escolher o Extrato de Chá Verde para uma receita?

Depois disso, vamos voltar alguns milhares de anos, conhecer uma das lendas mais famosas sobre a origem do chá, descobrir por que o chá verde e o chá preto podem nascer da mesma planta e entender o que existe nessas folhas para que elas tenham se tornado tão importantes dentro e fora da cosmética.

Bora aprender?

 

POR QUE UTILIZAR O EXTRATO DE CHÁ VERDE?

Na pele, uma das grandes riquezas do chá verde está na combinação entre ação antioxidante, adstringência e cuidado com a oleosidade superficial. Isso faz dele um ativo especialmente interessante para formulações nas quais queremos trabalhar uma sensação de pele limpa e equilibrada.

Sua ação adstringente pode contribuir para a tonificação e para aquela percepção de toque mais seco depois da aplicação, enquanto seus compostos fenólicos acrescentam uma proposta de proteção antioxidante.

E esse último ponto é especialmente importante, porque o chá verde é uma das fontes vegetais mais conhecidas de catequinas, um grupo de polifenóis capaz de interagir com espécies oxidantes e ajudar a combater os efeitos do estresse oxidativo.

Entre essas catequinas existe uma verdadeira celebridade: a EGCG, ou epigalocatequina-3-galato. Ela é uma das substâncias mais estudadas do chá verde e está relacionada às atividades antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana observadas em diferentes pesquisas com extratos e derivados da planta. Por isso, o chá verde aparece com frequência em formulações cosméticas destinadas à proteção da pele contra as agressões do ambiente, à manutenção do viço e ao cuidado de peles que apresentam oleosidade.

Estudos com aplicação tópica também vêm investigando sua relação com a produção de sebo e com características de peles acneicas. Para a nossa bancada, isso ajuda a explicar por que o extrato combina tão bem com fórmulas de limpeza e equilíbrio sem que a gente precise transformar o produto em tratamento para acne.

E agora vem uma curiosidade que muda completamente a maneira como muita gente enxerga o chá verde.

 

O CHÁ VERDE, O CHÁ PRETO E O CHÁ BRANCO PODEM NASCER DA MESMA PLANTA

Sim!

Quando falamos em chá verde, chá preto, chá branco ou oolong, parece natural imaginar plantas diferentes. Mas todos eles podem ser produzidos a partir da Camellia sinensis, um arbusto ou pequena árvore originário de regiões da Ásia.

A Kew (Royal Botanic Gardens, Kew, uma instituição botânica do Reino Unido e uma das maiores referências mundiais em pesquisa, classificação e conservação de plantas) registra a distribuição nativa da espécie desde o leste do Himalaia até o sul da China e o norte da Indochina.

Então o que transforma uma folha em chá verde ou chá preto?

Principalmente, o processamento depois da colheita.

Quando as folhas são retiradas da planta, suas células começam a sofrer alterações e enzimas entram em contato com diferentes componentes vegetais. No chá verde, esse processo oxidativo é interrompido rapidamente por aquecimento, tradicionalmente realizado de maneiras diferentes conforme a região produtora. Isso ajuda a preservar uma quantidade maior das catequinas características das folhas frescas.

No chá preto, permitimos que a oxidação enzimática avance muito mais. Durante essa transformação, parte das catequinas dá origem a outros compostos, como teaflavinas e tearubiginas, responsáveis também por diferenças de cor, sabor e aroma.

O oolong fica, de maneira simplificada, entre esses dois caminhos, com um grau intermediário de oxidação. Já o chá branco passa por um processamento mínimo e costuma utilizar brotos e folhas jovens.

Ou seja, uma mesma espécie pode produzir bebidas completamente diferentes dependendo da maneira como tratamos suas folhas depois da colheita. A própria Kew destaca que, durante séculos, chegou-se a acreditar que os chás verde e preto vinham de plantas distintas; hoje sabemos que a diferença fundamental está no processamento.

 

O QUE EXISTE DENTRO DE UMA FOLHA DE CHÁ VERDE?

Quando abrimos a composição química dessas folhas, encontramos uma mistura muito interessante de substâncias.

As mais famosas são as catequinas, principalmente EGCG, EGC, ECG e epicatequina. Entre elas, a EGCG geralmente recebe mais atenção nas pesquisas por representar uma parcela importante dos polifenóis do chá verde e por sua forte atividade antioxidante. Além disso, as folhas contêm cafeína, aminoácidos como a L-teanina, pigmentos, polissacarídeos e outros componentes que variam conforme variedade, clima, cultivo, idade das folhas e processamento.

É justamente essa riqueza que ajuda a explicar por que uma planta originalmente conhecida como bebida acabou ganhando tanto espaço na cosmética.

E tem uma diferença muito interessante entre tomar uma xícara e utilizar um extrato numa formulação. Na bebida, estamos fazendo uma infusão doméstica em água quente. Já um extrato cosmético é produzido de forma controlada, utilizando determinado processo e sistema de extração para obter componentes da matéria vegetal de maneira adequada à formulação.

Por isso, colocar chá verde preparado na cozinha dentro de um cosmético não é o mesmo que utilizar Extrato de Chá Verde desenvolvido como matéria-prima.

Então Atenção: A planta é a mesma. O ingrediente, não.

 

UMA LENDA QUE COMEÇA COM ALGUMAS FOLHAS CAINDO NA ÁGUA

Uma planta com uma história tão antiga naturalmente acumulou lendas, e existe uma que se tornou praticamente inseparável da origem do chá.

Segundo uma antiga tradição chinesa, Shennong, figura mitológica conhecida como o “Divino Agricultor”, percorria a natureza experimentando plantas e observando suas propriedades. Em uma das versões mais populares da história, ele estava aquecendo água quando folhas de uma planta próxima foram carregadas pelo vento e caíram dentro do recipiente.

A água mudou de cor, ganhou aroma e chamou sua atenção. Shennong experimentou aquela infusão e percebeu seu efeito revigorante. Assim, segundo a lenda, teria nascido a primeira xícara de chá.

Existem diferentes versões dessa narrativa, algumas muito mais fantásticas do que outras, e Shennong pertence ao universo mitológico chinês, portanto não estamos diante de um registro histórico da descoberta do chá. Mas a história atravessou tantos séculos justamente porque representa algo muito importante na cultura chinesa: a observação da natureza como fonte de conhecimento. A própria tradição associa Shennong à agricultura e ao conhecimento das plantas medicinais.

A história documentada do chá também é fascinante. Durante a dinastia Tang, entre os séculos VII e X, seu consumo ganhou enorme importância na China e passou a ocupar espaço na vida cotidiana, na hospitalidade, na poesia e nas artes. Foi nesse período que viveu Lu Yu, autor do Clássico do Chá, obra do século VIII inteiramente dedicada à cultura dessa bebida.

O chá também chegou ao Japão por meio de monges budistas que estudavam na China. Com o passar dos séculos, ganhou novos significados e acabou participando do desenvolvimento de rituais próprios, incluindo a famosa cerimônia japonesa do chá. A Kew registra sua introdução no Japão por volta do século VII e sua crescente presença em círculos monásticos e na corte durante os séculos seguintes.

Uma simples folha, portanto, conseguiu atravessar medicina tradicional, alimentação, religião, arte, comércio e rituais sociais antes de chegar aos nossos laboratórios e bancadas. Legal demais né?

DA XÍCARA PARA A BANCADA

Talvez seja justamente essa combinação entre familiaridade e profundidade que torne o Extrato de Chá Verde tão interessante para quem trabalha com cosmética artesanal.

Além de todos os benefícios que tratamos ao longo do blog, existe uma identidade visual inteira pronta para ser explorada: verdes naturais, folhas, referências orientais, rituais de pausa e aquela ideia de transformação que existe no próprio chá, em que uma folha aparentemente simples passa por um processo cuidadoso até revelar aromas, sabores e uma química extremamente rica.

Talvez seja justamente essa a maior lição que o chá verde traz para a nossa bancada. À primeira vista, enxergamos apenas uma folha conhecida. Quando estudamos um pouco mais, descobrimos que dentro dela existem química, cultura e milhares de anos de conhecimento acumulado.

E quando sabemos contar tudo isso, o Extrato de Chá Verde passa, de verdade, a fazer parte do conceito da criação.

Agora me conta aqui nos comentários: você já usou Extrato de Chá Verde nas suas receitas? Em qual produto você mais gosta de trabalhar com ele?

Quero muito conhecer as experiências de vocês e descobrir como esse ativo aparece ai na vida de vocês!

Beijuuuuuuuuuuuuuuuu

 

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