SÉRIE – O CAMINHO DO SUCESSO

CAPÍTULO 10: A TÃO ESPERADA PRODUÇÃO

Olá, amadas!

Chegamos a um dos momentos mais esperados de toda a nossa série “O Caminho do Sucesso”, a PRODUÇÃO! Depois de tantos capítulos pesquisando, escolhendo, testando e planejando cada detalhe da coleção, finalmente chegou a hora de colocar a mão na massa e começar a transformar aquilo que existia como projeto em produtos de verdade.

Eu sei que essa etapa provoca uma ansiedade enorme. Você olha para as matérias-primas organizadas, vê os frascos, as essências, as formas e tudo aquilo que escolheu durante o processo e quer começar imediatamente. Mas existe uma coisa que eu aprendi nesses mais de 26 anos trabalhando com produção: saber executar uma receita é apenas uma parte do trabalho.

Uma boa produção também depende da maneira como você organiza o processo, registra o que está fazendo, acompanha cada etapa e consegue repetir um resultado quando ele dá certo.

No capítulo anterior, nós preparamos o nosso espaço. Falamos sobre higiene, circulação de pessoas, organização da bancada e sobre a importância de criar um ambiente em que você consiga realmente se concentrar.

Agora vamos ocupar esse espaço, mas quero que você entre nele com uma cabeça diferente. Em vez de simplesmente abrir os materiais e começar, vamos aprender a pensar a produção como um processo.

Bora?!

PRODUÇÃO TAMBÉM PRECISA DE MÉTODO

Quando estamos começando, é natural imaginar que a maior dificuldade será dominar a técnica do sabonete, da vela, do aromatizador ou de qualquer outro produto escolhido para a coleção. Com a prática, porém, percebemos que produzir bem envolve muito mais do que conhecer o passo a passo de uma receita.

Você precisa saber onde estão os materiais, qual produto será feito primeiro, quanto será produzido, em que momento cada ingrediente entra e onde aquele item ficará até chegar à etapa seguinte. Também precisa manter a bancada sob controle e registrar informações suficientes para conseguir entender depois como aquele resultado foi construído.

É justamente aqui que entra a importância de desenvolver uma rotina de produção.

Imagine que você consiga fazer um sabonete maravilhoso, encontre a cor perfeita e chegue a uma combinação de fragrâncias que ficou incrível. Se não anotou nada e produziu tudo de memória, talvez daqui a dois meses não consiga reproduzir exatamente aquilo que encantou seus clientes. A técnica estava certa, mas faltou processo.

No início do negócio, provavelmente você será responsável por quase todas as etapas, a famosa “EUquipe”. Vai criar, comprar, produzir, limpar, embalar, fotografar, divulgar e vender. Isso dá trabalho, claro, mas também oferece um aprendizado muito importante. Quando o negócio crescer e chegar o momento de incluir outras pessoas, você terá passado por essas funções e saberá explicar como deseja que cada etapa seja realizada, ou seja, outra pessoa realiza, mas o processo continua sendo o seu.

Por isso, desde a primeira produção, comece a observar não apenas o que você está fazendo, mas como está fazendo.

TRANSFORMA SUA BANCADA EM UMA ESTEIRA DE PRODUÇÃO

Quando eu falo em esteira de produção, não quero que você imagine uma grande fábrica cheia de máquinas. O princípio da esteira pode começar em uma mesa pequena, desde que exista uma sequência lógica para o trabalho.

Pense, por exemplo, no caminho de um sabonete. Em uma parte da bancada podem ficar os materiais que serão utilizados; em outra acontece a manipulação; depois o produto segue para o espaço onde o sabonete ficará até atingir o ponto de secagem necessário para a próxima etapa. Mais adiante entram corte ou acabamento e finalmente chegamos à área mais seca, onde poderá acontecer a embalagem.

Não significa que sua mesa precisa ser enorme ou dividida fisicamente com placas. O importante é você compreender que cada etapa possui uma função e que o produto deve avançar pelo processo de maneira organizada.

Essa lógica evita aquela produção em que tudo acontece no mesmo lugar ao mesmo tempo. Matérias-primas abertas dividem espaço com embalagem pronta, fita fica perto de recipiente utilizado na manipulação, utensílio que já terminou sua função continua ocupando a bancada e, pouco a pouco, você perde espaço e controle sobre aquilo que está fazendo.

Mesmo quem trabalha dentro de casa pode organizar um fluxo. Talvez você tenha apenas uma mesa de um metro e meio. Tudo bem. Pense em como utilizar esse espaço de forma inteligente e, principalmente, em como liberar a área conforme cada etapa termina.

Quanto mais clara for essa sequência, menos você precisa interromper o trabalho para procurar alguma coisa, deslocar materiais ou descobrir onde colocar um produto que acabou de finalizar.

ESCOLHA COM INTELIGÊNCIA POR ONDE COMEÇAR

Com o espaço organizado, chega outra decisão importante: qual produto da coleção será feito primeiro?

E aqui eu não quero que você escolha necessariamente aquilo que está com mais vontade de produzir.

Se a sua coleção possui um aromatizador que você já domina, um sabonete que conhece bem e uma vela que ainda gera insegurança, talvez seja muito mais interessante começar pelo processo mais familiar. Você entra no ritmo do trabalho, confere sua organização e ganha confiança antes de chegar à etapa que exige maior atenção.

Também podemos pensar no comportamento das próprias receitas. Alguns produtos precisam de mais tempo para descansar ou estabilizar, enquanto outros são finalizados rapidamente. Dependendo da sua coleção e do espaço disponível, essa característica pode ajudar a definir a melhor sequência.

O importante é não iniciar simplesmente porque determinado produto parece mais divertido naquele momento. Antes de começar, olhe para o conjunto e estabeleça uma ordem que facilite seu trabalho.

E tenha a receita por perto.

Mesmo depois de fazer determinado produto várias vezes, não existe mérito nenhum em tentar provar que decorou tudo. Quando estamos trabalhando com várias receitas em sequência, pequenas diferenças podem se misturar facilmente na memória. Uma coleção pode utilizar outra fragrância, outra quantidade, um ativo diferente ou uma proporção específica que não estava presente na produção anterior.

Consultar a receita leva poucos segundos e pode evitar um erro que custará tempo e matéria-prima.

O CADERNO DE PRODUÇÃO PRECISA VIRAR SEU ALIADO

Se eu pudesse insistir em um hábito para quem quer transformar o artesanal em negócio, seria este: anote o que você faz.

Eu e o Douglas acumulamos muitos cadernos ao longo dos anos porque eles acabaram se transformando numa memória da nossa produção. Quando precisamos entender como determinado produto foi desenvolvido ou lembrar alguma decisão tomada muito tempo atrás, temos um registro para consultar.

Pense no caderno de produção quase como um diário técnico do seu trabalho. Não precisa virar uma burocracia gigantesca. O importante é registrar informações que poderão fazer diferença depois: qual produto foi feito, quanto você produziu, quais proporções utilizou, se precisou fazer algum ajuste de cor ou fragrância e aquilo que percebeu durante o processo.

Vamos imaginar que você esteja tentando reproduzir o rosa definido na paleta da coleção. Começa com uma pequena quantidade de corante, percebe que ficou claro demais e acrescenta um pouco mais até chegar exatamente onde queria. Se esse ajuste não for registrado, na próxima produção você provavelmente começará tudo de novo tentando adivinhar como chegou naquele resultado.

Agora imagine que aquela coleção vende muito bem e você precisa repetir a produção várias semanas depois. O caderno permite que a nova receita comece de onde a anterior terminou, e não do zero.

Com o crescimento do negócio, esse registro se torna ainda mais importante porque começa a construir uma forma de trabalhar que pode ser ensinada e reproduzida por outras pessoas. O que hoje parece apenas uma anotação simples pode, no futuro, ajudar a formar um processo de produção muito mais profissional.

TODO O PROJETO QUE CONSTRUÍMOS VOLTA PARA A BANCADA

Lembra do nosso pino de cor?

Quando falamos sobre paleta cromática, eu ensinei vocês a criarem uma referência física para aquele tom escolhido. Agora é exatamente a hora de utilizá-la novamente.

Imagine que você definiu para sua coleção um determinado verde. O sabonete é produzido hoje, o creme na semana seguinte e, algum tempo depois, você precisa fazer uma reposição. Se todas essas decisões dependem apenas da memória visual, existe uma grande possibilidade de cada produção ganhar uma tonalidade ligeiramente diferente.

A referência ajuda a manter direção e coerência.

Isso não significa esperar que matérias-primas completamente diferentes respondam à cor da mesma maneira, porque cada base possui suas próprias características. O objetivo é ter um parâmetro para observar se aquilo que está sendo produzido continua dentro do universo planejado.

E o mesmo vale para todas as outras decisões que tomamos ao longo da série. A imagem de referência, a paleta, as anotações sobre identidade olfativa, os produtos escolhidos e até os acabamentos continuam servindo como orientação durante a produção.

Perceba como os capítulos começam a se conectar. Nós não passamos todo aquele tempo criando um projeto bonito para depois abandoná-lo no momento de produzir. Ele funciona justamente como nossa referência quando surgem dúvidas.

Se você está prestes a mudar uma cor, adicionar algum elemento ou alterar uma escolha porque teve uma ideia durante a produção, volte para o projeto e pergunte se essa decisão ainda pertence à história que construiu.

Essa conferência ajuda muito a impedir que a coleção comece de uma maneira e termine completamente diferente simplesmente porque fomos improvisando no caminho.

TESTE ANTES DE COLOCAR MUITA MATÉRIA-PRIMA EM JOGO

Outro comportamento que vale desenvolver desde cedo é o hábito do teste.

Cor é um ótimo exemplo porque esse costuma ser um ponto que gera bastante dificuldade. Se você ainda não sabe exatamente quanto de determinado corante precisará para chegar ao tom desejado, não existe motivo para descobrir isso diretamente numa grande produção. Podemos trabalhar primeiro com pequenas quantidades e referências, entendendo como aquele material responde antes de levar a decisão para uma receita maior.

O mesmo princípio serve para acabamento, combinação de materiais e receitas que você ainda não domina. Se uma embalagem nova chegou, monte uma unidade antes de preparar cinquenta. Se nunca trabalhou com determinado produto, faça uma produção menor quando a formulação permitir e observe o processo com atenção.

Esse teste não representa perda de tempo. Ele diminui o tamanho do erro possível.

E isso é especialmente importante para quem carrega algum medo de uma técnica. Muitas pessoas dizem “não consigo acertar cor”, “sempre erro vela” e começam a tratar uma dificuldade pontual como se fosse uma incapacidade permanente.

Nessa hora, precisamos tirar um pouco da emoção e voltar para o processo.

Qual etapa está dando errado? A receita foi seguida corretamente? A temperatura estava adequada? A matéria-prima era a indicada? Houve alguma mudança em relação ao procedimento ensinado?

Quando conseguimos localizar a dificuldade, ela deixa de ser “eu não sei fazer” e passa a ser um problema específico que pode ser estudado e corrigido.

FRACIONAR UMA RECEITA TAMBÉM FAZ PARTE DESSE APRENDIZADO

Para quem está iniciando uma coleção, saber trabalhar com quantidades menores pode ser extremamente útil.

Imagine que determinada receita esteja calculada para 1 kg, mas você queira produzir apenas 500 g para fazer um primeiro teste. Quando a formulação permitir esse fracionamento, todos os componentes precisam acompanhar a mesma proporção. Se você fará metade da receita, utilizará metade de cada quantidade; se fará um quarto, todas precisarão ser divididas por quatro.

Parece bastante simples, mas é justamente nas quantidades menores que algumas pessoas acabam esquecendo de recalcular um ingrediente e comprometem o resultado.

Por isso, faça essa conta antes de começar a produção.

Pegue a receita, calcule com calma, confira tudo e deixe a nova quantidade escrita. Quando chegar à bancada, sua atenção precisa estar na execução, e não em fazer contas no meio de uma etapa.

Também é importante lembrar que fracionar não significa alterar livremente uma formulação. Existem receitas e processos que possuem particularidades técnicas, então devemos sempre respeitar as orientações específicas ensinadas para cada produto. Aqui estamos falando de aprender a trabalhar proporcionalmente quando aquela receita permite.

Esse conhecimento é muito interessante porque permite fazer testes e primeiras produções com menos material, ganhando experiência antes de aumentar a escala.

QUANDO ALGUMA COISA DER ERRADO, INVESTIGUE ANTES DE TENTAR CORRIGIR

Em algum momento da sua trajetória, uma produção não vai se comportar exatamente como você esperava. Isso acontece com quem está começando e também com quem produz há muitos anos.

O que muda com a experiência é a maneira como reagimos.

Quando alguma coisa parece errada, a primeira atitude não deve ser começar a acrescentar ingredientes ou mudar etapas aleatoriamente para tentar “salvar” o produto. Volte para a receita e tente identificar onde o comportamento começou a mudar. Confira quantidades, sequência, matéria-prima, temperatura e todas as orientações específicas daquele processo.

Às vezes o problema está numa coisa muito simples.

Por exemplo, algumas alunas relatam que, por vezes, a base glicerinada parece não derreter como deveria. A reação pode ser reduzir demais a temperatura por medo de queimar ou retirar a base antes do ponto correto, e depois o produto começa a apresentar outro comportamento. É exatamente nessas situações que precisamos voltar para a aula daquela técnica, entender o ponto indicado e comparar com aquilo que estamos fazendo.

Nesta série, eu não quero ensinar cada receita novamente porque já temos centenas de vídeos específicos para isso. O nosso objetivo aqui é aprender como agir quando surge uma dificuldade.

Em vez de entrar em desespero, identifique em que etapa está o problema, consulte o conteúdo correspondente e, se ainda tiver dúvida, peça ajuda. Temos nossos canais de atendimento, WhatsApp, e-mail e nossas lojas justamente para orientar vocês.

Quanto mais específica for sua pergunta, melhor será a ajuda. “Meu sabonete não deu certo” é muito diferente de explicar qual base utilizou, em que momento percebeu a alteração e o que aconteceu durante o processo.

Perguntar também faz parte do aprendizado.

CADA PRODUÇÃO ENSINA COMO A PRÓXIMA PODE SER MELHOR

A primeira vez que você produz uma coleção nova também funciona como uma espécie de teste do próprio processo. Além de descobrir como os produtos ficaram, você começa a entender quanto tempo realmente precisa, quanto espaço aquela sequência ocupa, quais etapas exigem mais atenção e como as matérias-primas se comportam dentro da sua estrutura.

Essas observações são muito valiosas porque ajudam a organizar as próximas produções. Talvez você perceba que separar determinados utensílios com antecedência economiza bastante tempo ou que fazer um dos produtos primeiro libera a bancada para todo o restante. Pode descobrir também que determinado acabamento demora mais do que imaginava e precisa entrar mais cedo no cronograma.

É assim que a produtividade começa a ser construída.

E produtividade não significa simplesmente fazer tudo correndo. Um processo produtivo é aquele em que você reduz movimentos desnecessários, evita desperdícios, consegue prever melhor o tempo necessário e mantém a qualidade do resultado.

Na primeira produção, talvez ainda exista muita consulta, dúvida e reorganização. Isso é natural. Conforme você repete o processo, começa a compreender melhor cada etapa e encontra formas mais inteligentes de executá-la.

A esteira de produção que estamos construindo nasce justamente dessa observação.

PRODUZIR COM ORGANIZAÇÃO É O PRIMEIRO PASSO PARA CONSEGUIR CRESCER

Existe uma vontade muito comum (principalmente quando começamos um negócio) de parecer grande rapidamente. Queremos várias opções de produtos, bastante estoque e uma bancada cheia porque aquilo transmite uma sensação de que o negócio está acontecendo.

Mas quantidade não é o que torna uma produção profissional.

Uma artesã que produz poucas unidades, consulta suas receitas, registra ajustes, mantém o espaço organizado e consegue repetir o padrão está construindo uma base muito mais sólida para crescer.

Antes de aumentar volume, precisamos desenvolver consistência.

Porque, quando a produção aumenta, os pequenos problemas também aumentam junto. Uma diferença de cor que parecia pequena em cinco produtos pode se tornar muito evidente em cinquenta. Uma informação que você esqueceu de registrar pode dificultar uma reposição inteira. Uma bancada desorganizada que ainda funcionava numa receita pode virar um caos quando existem cinco acontecendo em sequência.

Por isso, aproveite as primeiras produções para aprender o seu processo.

É muito mais fácil crescer quando você sabe exatamente aquilo que está aumentando.

AGORA, SIM, COLOQUE A MÃO NA MASSA

Para este capítulo, quero propor um exercício um pouco diferente. Na sua próxima produção, observe tanto o produto quanto a maneira como você trabalha.

Antes de começar, defina a sequência das receitas, deixe os materiais necessários organizados, mantenha o projeto e as referências próximos e abra o seu caderno de produção. Se aquela receita for nova ou você ainda estiver insegura, comece com uma quantidade menor quando isso for tecnicamente possível e siga o passo a passo sem tentar acelerar etapas.

Enquanto trabalha, registre os ajustes que fizer e preste atenção naquilo que dificulta seu processo. Talvez você perceba que perde muito tempo buscando utensílios, que determinada etapa precisa de mais espaço ou que existe uma técnica que ainda merece ser estudada com mais calma.

Quando a produção terminar, essas observações serão tão importantes quanto olhar para os produtos prontos, porque elas ajudam a responder uma pergunta fundamental: o que eu posso organizar melhor na próxima vez?

É dessa maneira que o método começa a aparecer. Não nasce pronto e não precisa ser igual ao meu ou ao de outra artesã. Ele vai sendo construído conforme você conhece suas receitas, sua estrutura e sua própria maneira de trabalhar.

E quero saber de vocês também: qual é hoje a maior dificuldade que aparece durante a sua produção? Conta nos comentários, porque muitas vezes aquilo que parece uma dificuldade só sua também está acontecendo na bancada de muita gente, e podemos ajudar vocês a entender melhor esses processos.

Quando comecei, não existia toda essa quantidade de conteúdo disponível e muita coisa precisei aprender fazendo, errando, testando novamente e tentando entender onde estava o problema. Hoje, depois de tantos anos trabalhando com isso, poder organizar esse aprendizado e dividir com vocês é uma das partes mais gostosas dessa série.

Então aproveite essa fase tão esperada. Produza com atenção, mantenha as receitas por perto, anote aquilo que descobrir e permita que cada nova produção deixe a próxima um pouco mais organizada.

Colocar a mão na massa é uma delícia, mas é quando aprendemos a produzir com método que começamos a transformar essa paixão em um negócio capaz de crescer e encantar a vida de muitas outras pessoas.

E aí? Bora arrasar?!

Que Deus abençoe vocês e até o próximo episódio.

Beijuuuuuuuuuu!

 

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