SÉRIE – O CAMINHO DO SUCESSO

CAPÍTULO 11: O CUIDADO COM A SUA PRODUÇÃO FAZ DIFERENÇA

Olá, amadas!

Está no ar mais um capítulo da nossa série O Caminho do Sucesso, e hoje quero conversar com vocês sobre um assunto que considero fundamental para quem deseja transformar a produção artesanal em um negócio cada vez mais profissional: o cuidado que dedicamos ao nosso trabalho.

No episódio anterior, falamos sobre a tão esperada produção. Aprendemos a organizar nossa esteira, definir a sequência das receitas, trabalhar com referências e registrar as informações que nos ajudam a repetir um bom resultado. Também conversamos sobre aquele momento delicioso em que conseguimos nos concentrar tanto naquilo que estamos fazendo que até perdemos a noção do tempo.

Mas existe uma parte da produção que merece tanta atenção quanto o momento em que estamos efetivamente colocando a mão na massa. Estou falando de tudo aquilo que acontece ao redor da receita e que, muitas vezes, passa despercebido: o estado dos utensílios, a conservação das formas, a maneira como guardamos os materiais, as condições de secagem dos produtos e até a iluminação que utilizamos para enxergar aquilo que estamos criando.

São cuidados que talvez não apareçam diretamente na fotografia de um produto pronto, mas que podem interferir bastante no resultado e, principalmente, na nossa capacidade de manter um padrão de qualidade ao longo do tempo.

E quero que vocês entendam uma coisa desde o começo: ter zelo não significa possuir um ateliê maravilhoso ou os equipamentos mais caros do mercado. Significa aprender a cuidar corretamente daquilo que você tem, compreendendo que cada material, utensílio e produto faz parte do seu processo de trabalho.

Bora entender melhor?!

O ZELO COMEÇA NA MANEIRA COMO VOCÊ CUIDA DO SEU ESPAÇO

Eu já contei algumas vezes que, quando comecei, não tinha uma estrutura de produção parecida com a que possuo hoje. Minha primeira bancada era uma tábua de obra que eu procurava proteger da melhor maneira que conseguia com os recursos disponíveis naquela época. Cheguei a utilizar plástico-bolha como cobertura e, quando ele apresentava algum dano, fazia a substituição para manter a superfície protegida.

Era a solução que eu havia encontrado naquele momento, com o conhecimento e as possibilidades que tinha. Naturalmente, com a experiência, fui aprendendo a trabalhar com superfícies e materiais mais adequados à produção, especialmente aqueles que oferecem resistência e facilidade de higienização.

E é justamente esse aprendizado que quero dividir com vocês. Não precisamos começar com a estrutura definitiva, mas precisamos buscar soluções que respeitem as necessidades do nosso trabalho e aprimorá-las conforme adquirimos conhecimento.

Uma bancada adequada deve permitir que você trabalhe com segurança e consiga realizar os procedimentos de limpeza exigidos pelas matérias-primas que utiliza. Também precisa estar em boas condições, sem superfícies danificadas, revestimentos deteriorados ou materiais que dificultem a higienização.

O mesmo raciocínio vale para os suportes e acessórios que fazem parte do ambiente. Você pode utilizar organizadores, prateleiras e suportes de parede para manter utensílios acessíveis, desde que esses recursos não criem riscos de contaminação nem comprometam a segurança da produção.

Eu gosto muito, por exemplo, de ter lugares definidos para pendurar tesouras e outros instrumentos, assim como espaços próprios para deixar os utensílios depois da lavagem. Isso facilita a rotina porque cada coisa possui seu lugar e não precisamos reorganizar todo o ambiente cada vez que começamos uma nova receita.

Aliás, essa é uma boa pergunta para você fazer ao observar seu espaço: os materiais estão organizados de uma maneira que facilita o trabalho ou você precisa ficar procurando e movimentando tudo sempre que vai produzir?

Às vezes, uma pequena mudança na posição de um organizador ou na maneira como guardamos os utensílios já melhora bastante a rotina. O importante é que essas soluções sejam pensadas de acordo com o uso real do espaço, e não apenas para que ele fique bonito ou pareça organizado.

SEUS UTENSÍLIOS TAMBÉM PRECISAM DE CUIDADO

Quem trabalha com cosmética artesanal acaba reunindo uma quantidade considerável de utensílios ao longo do tempo. São espátulas, recipientes, peneiras, medidores, formas, tesouras e diversos outros instrumentos que participam diretamente ou auxiliam nossas produções.

Como eles estão presentes praticamente todos os dias, é fácil começar a tratá-los de maneira automática. Terminamos uma receita, lavamos o que foi utilizado, guardamos e seguimos para o próximo produto. Mas será que estamos observando de verdade as condições desses materiais?

A limpeza precisa ser feita de acordo com as características de cada utensílio e com as orientações de higiene adequadas ao processo. Também devemos observar se existem resíduos em cantos, encaixes ou partes que exigem maior atenção. Sempre que houver necessidade de higienização específica, é importante respeitar o procedimento indicado e utilizar produtos compatíveis com o material.

E existe outro cuidado que considero muito importante: a maneira como deixamos os utensílios depois da lavagem.

Na minha produção, gosto de utilizar um organizador que funciona como escorredor, posicionado sobre a pia. É uma solução simples, que permite acomodar os materiais e facilita a secagem antes de serem guardados. Dessa maneira, evito colocar utensílios ainda úmidos diretamente dentro de caixas ou armários.

Guardar um material limpo, mas ainda molhado, pode favorecer problemas de conservação e comprometer as condições em que ele estará na próxima utilização. Por isso, a secagem e o armazenamento também precisam fazer parte da rotina.

Outro ponto é observar o estado de conservação. Uma espátula danificada, um recipiente com rachaduras ou um utensílio que já não consegue ser adequadamente higienizado precisa ser avaliado e, quando necessário, substituído.

Essa atenção se torna ainda mais importante quando começamos a produzir com frequência. O utensílio passa a fazer parte da estrutura do negócio. Cuidar dele significa preservar seu funcionamento e manter condições adequadas para as próximas produções.

AS FORMAS DE SILICONE EXIGEM UM OLHAR ESPECIAL

Agora quero falar de um material que praticamente todo mundo que trabalha com saboaria conhece muito bem: as nossas queridas formas de silicone.

Elas nos oferecem uma liberdade criativa enorme, permitindo reproduzir detalhes, texturas e formatos que fazem toda a diferença na apresentação dos produtos. Mas, justamente por serem tão presentes na nossa rotina, precisamos conhecer também os cuidados necessários para conservá-las.

Eu aprendi algumas coisas sobre isso ao longo dos anos, inclusive observando situações que, num primeiro momento, pareciam bastante curiosas.

Já aconteceu de encontrarmos uma forma antiga que havia sido cuidadosamente guardada dentro de uma caixa e percebermos que ela estava mais mole e pegajosa. Enquanto isso, outras formas que permaneciam armazenadas em locais mais ventilados continuavam em boas condições.

Com essas experiências, começamos a prestar muito mais atenção na maneira como guardávamos nossos materiais. É importante lembrar que a conservação do silicone também depende de sua composição, qualidade, idade e das condições de uso, por isso devemos respeitar as recomendações de cada fabricante.

De maneira geral, precisamos guardar as formas devidamente limpas e secas, em condições adequadas de temperatura e armazenamento, evitando situações que favoreçam a retenção de umidade ou provoquem deformações. Também devemos ter cuidado ao empilhar materiais pesados sobre formas delicadas ou mantê-las dobradas e comprimidas por longos períodos.

E aqui entra um hábito que vale muito a pena desenvolver: antes de começar uma produção, observe a forma que pretende utilizar. Veja se ela está íntegra, limpa, com sua estrutura preservada e em condições adequadas para receber o produto.

Pode parecer um cuidado exagerado, mas imagine descobrir que sua forma está danificada somente depois de preparar uma receita inteira. Dependendo do problema, você poderá comprometer o acabamento, dificultar o desenforme ou até perder parte da produção. E não dá pra ficar tendo prejuízo à toa né?

Outra orientação é não guardar automaticamente todas as formas assim que termina de utilizá-las. Respeite o processo de limpeza e secagem e verifique se as condições de armazenamento são adequadas àquele material.

Uma forma bem conservada pode acompanhar inúmeras produções. Por isso, conhecer as necessidades dos materiais com os quais trabalhamos também é uma maneira de proteger o investimento que fizemos neles.

O CUIDADO CONTINUA MESMO DEPOIS QUE A RECEITA TERMINA

Existe uma etapa que merece bastante atenção e que nem sempre recebe a importância necessária: o período em que nossos produtos precisam permanecer em repouso antes de avançar para a próxima fase.

É muito comum associarmos produção apenas àquilo que acontece enquanto estamos manipulando as matérias-primas. Mas, dependendo do produto, o processo não termina quando colocamos o conteúdo na forma ou fechamos um recipiente.

Existem preparações que precisam esfriar, outras exigem secagem, estabilização, maceração ou períodos específicos antes de serem utilizadas, desenformadas ou embaladas. Cada produto possui suas particularidades, e essas etapas devem seguir as orientações da respectiva formulação.

Pense, por exemplo, em um sabonete que acabou de ser colocado na forma. Você executou a receita corretamente, alcançou o tom desejado e conseguiu reproduzir todos os detalhes do projeto. Agora, porém, precisa garantir que ele permaneça nas condições adequadas até atingir o ponto necessário para o desenforme.

Se a forma estiver posicionada sobre uma superfície instável, em um local muito quente ou sujeita à circulação de pessoas e animais, você poderá comprometer um trabalho que vinha sendo realizado com todo o cuidado.

Por isso, é importante definir previamente onde os produtos ficarão durante essas etapas. Esse espaço precisa ser compatível com as necessidades de cada preparação, permitir que tudo permaneça protegido e oferecer condições para respeitarmos os tempos indicados.

Também é fundamental evitar a tentação de acelerar indiscriminadamente os processos. Um produto que precisa de determinado período de repouso não estará necessariamente pronto apenas porque sua aparência parece adequada. Endurecimento, secagem, estabilização e maceração são processos diferentes e não devem ser tratados como se fossem a mesma coisa.

A paciência faz parte da técnica, minha senhora! E eu sei que, quando estamos ansiosos para ver a coleção pronta, essa pode ser uma das partes mais difíceis.

A TEMPERATURA DO AMBIENTE PODE MUDAR SUA ROTINA

Outro aprendizado que a experiência me trouxe é que precisamos observar as condições do lugar onde estamos produzindo, especialmente quando falamos de temperatura.

Eu me lembro de uma consultoria que fiz em Portugal para ajudar na montagem de uma empresa. Naquela ocasião, enfrentei um calor muito intenso, bastante diferente das condições com as quais estava acostumado a trabalhar. E esse calor trouxe dificuldades para algumas etapas da produção, principalmente quando precisávamos que os sabonetes atingissem a consistência adequada em tempo hábil.

Nós também tínhamos uma feira programada na região da Serra da Estrela, então era necessário encontrar uma solução para concluir aquela produção dentro do prazo. Foi uma experiência em que precisei trabalhar com o resfriamento dos produtos em um congelador e adaptar a rotina às condições que estava enfrentando.

Essa situação me ensinou uma coisa importante: não podemos imaginar que o mesmo processo acontecerá exatamente da mesma maneira em qualquer ambiente.

Pense numa artesã que trabalha em uma região onde a temperatura permanece elevada até durante a noite e em outra que produz num lugar muito mais frio. As condições ambientais podem interferir no comportamento de determinadas matérias-primas e nos tempos necessários para algumas etapas.

Isso significa que precisamos conhecer o produto e observar o ambiente, sem abandonar as orientações técnicas da receita.

Em algumas formulações, quando o procedimento permite, a refrigeração pode ser utilizada como recurso auxiliar em uma etapa específica. Mas é importante entender que geladeira e congelador não são soluções universais. O resfriamento inadequado pode provocar efeitos indesejados, como condensação de umidade ou alterações no aspecto de determinados produtos.

O segredo é saber quando um recurso é apropriado e qual problema estamos tentando resolver, em vez de simplesmente colocar tudo para gelar na esperança de acelerar a produção.

Também vale observar o comportamento dos produtos ao longo das estações. Uma receita que funciona tranquilamente durante um período mais frio pode exigir maior atenção no verão, assim como mudanças de umidade podem interferir nas condições de conservação de determinados materiais.

Quanto melhor você conhecer essas variáveis, mais preparada estará para organizar sua produção sem precisar improvisar toda vez que o clima mudar.

A ILUMINAÇÃO TAMBÉM INTERFERE NA MANEIRA COMO VOCÊ PRODUZ

Agora vamos falar de um detalhe que muita gente não considera quando está montando seu espaço: a iluminação.

Lembro que, na minha primeira bancada, improvisei uma estrutura de iluminação ajustável utilizando os recursos que tinha disponíveis na época. A ideia era conseguir aproximar ou afastar a luz conforme a necessidade da produção, porque eu já percebia como uma boa iluminação ajudava a enxergar melhor os detalhes.

Hoje existem soluções muito mais adequadas e seguras para isso, com luminárias e estruturas próprias para a bancada. O importante é compreender que a iluminação não serve apenas para deixar o ambiente mais claro. Ela também interfere na maneira como percebemos as cores e avaliamos determinados acabamentos.

Imagine que você esteja tentando reproduzir um sabonete em um tom específico de laranja. Se a iluminação do ambiente for muito amarelada, aquela cor poderá parecer mais quente do que realmente é. Já uma iluminação excessivamente fria pode modificar nossa percepção e fazer com que algumas tonalidades pareçam mais acinzentadas ou diferentes da referência.

Isso não significa que a luz esteja alterando a cor real do produto, mas que está interferindo na maneira como nossos olhos a enxergam. E essa diferença pode nos levar a realizar ajustes desnecessários durante a produção.

É por isso que gosto de trabalhar com uma iluminação mais neutra, que permita observar as cores com maior fidelidade. Sempre que possível, também vale comparar o resultado em condições consistentes de luz, utilizando nossas referências de cor e evitando avaliar um produto em um ambiente completamente diferente daquele em que fizemos o teste anterior.

E aqui existe uma distinção interessante. Na minha casa, por exemplo, gosto muito de luzes mais quentes, porque elas criam uma atmosfera acolhedora e confortável. Mas a luz que funciona lindamente para deixar a sala aconchegante não é necessariamente a mais adequada para uma bancada na qual precisamos comparar tonalidades.

Você pode construir um ambiente agradável e, ao mesmo tempo, possuir uma iluminação de trabalho que facilite suas decisões. O cuidado está em entender a função de cada uma dessas escolhas.

CUIDAR DO SEU MATERIAL PRECISA FAZER PARTE DA ROTINA

Agora quero que você pense no seu ateliê ou naquele cantinho que utiliza para produzir.

Quando foi a última vez que retirou os materiais dos armários para fazer uma limpeza mais completa? Há quanto tempo não confere as condições das formas, dos utensílios e dos produtos armazenados? Você sabe exatamente o que possui em estoque e quais matérias-primas precisam ser utilizadas primeiro, respeitando suas condições de conservação e seus prazos de validade?

Essas perguntas são importantes porque o cuidado com a produção não pode acontecer apenas quando percebemos que alguma coisa está errada.

Precisamos criar uma rotina de manutenção.

A frequência vai depender do volume de trabalho, do tamanho do espaço e das características dos materiais. Uma pessoa que produz diariamente terá necessidades diferentes de quem utiliza a bancada apenas uma vez por semana. O importante é estabelecer uma periodicidade compatível com sua realidade e não deixar que a organização dependa exclusivamente de encontrar algum tempo livre.

Além dos cuidados de limpeza após cada produção, reserve momentos para uma conferência mais completa. Observe o estado dos utensílios, verifique como as formas estão armazenadas, confira as condições dos recipientes e faça uma revisão das matérias-primas disponíveis.

Esse levantamento também ajuda a perceber o que realmente está sendo utilizado. Às vezes, encontramos uma essência esquecida, uma embalagem comprada em excesso ou um material que já deveria ter sido destinado a outro projeto. Quanto mais conhecemos nosso estoque, mais consciência temos sobre aquilo que compramos e sobre a maneira como o dinheiro do negócio está sendo utilizado.

E não precisamos esperar o ateliê ficar completamente desorganizado para tomar essas atitudes. Uma rotina simples, realizada com constância, costuma ser muito mais eficiente do que precisar interromper um dia inteiro de trabalho para resolver meses de acúmulo.

Com o tempo, esse cuidado se torna parte natural da produção e ajuda a manter a estrutura preparada para receber novos projetos.

O VALOR DO SEU TRABALHO TAMBÉM ESTÁ NO CUIDADO QUE O CLIENTE NÃO VÊ

Existe uma coisa muito bonita no artesanal: o cliente normalmente encontra apenas o resultado final, mas nós sabemos quantas decisões foram necessárias para chegar até ele.

Quando uma pessoa recebe um sabonete com uma cor bem executada, um acabamento bonito e uma apresentação cuidadosa, talvez não imagine que por trás daquele produto existiu uma bancada preparada, uma forma bem conservada, utensílios adequadamente higienizados, condições específicas de repouso e uma série de pequenas decisões tomadas durante a produção.

Mas todos esses cuidados participam do resultado que ela recebe.

E é justamente por isso que eu insisto tanto no zelo. O valor do nosso trabalho não está somente na matéria-prima que utilizamos ou na habilidade manual que desenvolvemos. Ele também está na atenção que dedicamos ao processo e na responsabilidade com que tratamos aquilo que estamos produzindo.

Quando você cuida dos utensílios, conserva corretamente seus materiais, respeita os tempos de cada receita e mantém condições adequadas de trabalho, começa a construir uma rotina muito mais consistente.

Isso também se reflete financeiramente. Uma forma danificada antes da hora, uma matéria-prima perdida por armazenamento inadequado ou uma produção comprometida por falta de atenção representam recursos que poderiam ter sido melhor aproveitados. Ao preservar seus materiais e reduzir problemas evitáveis, você também cuida da saúde do negócio.

E essa consciência precisa existir desde o começo, independentemente do tamanho da estrutura.

EXERCÍCIO: QUE TAL OLHAR PARA A SUA PRODUÇÃO COM OUTROS OLHOS?

O exercício deste capítulo é fazer uma avaliação cuidadosa do seu próprio espaço de trabalho, mas agora prestando atenção naquilo que acontece antes, durante e depois da manipulação.

Observe as condições da bancada e dos utensílios, confira como suas formas estão guardadas e avalie se os materiais possuem espaços adequados para permanecerem limpos, secos e protegidos. Depois, pense nos produtos que você costuma fazer e verifique se existe um local apropriado para as etapas de resfriamento, secagem, estabilização ou repouso exigidas pelas suas receitas.

Aproveite também para avaliar a iluminação. Se trabalha com cores, tente observar uma mesma referência em diferentes condições de luz e perceba como a aparência pode mudar. Esse exercício é interessante para desenvolver seu olhar e compreender a importância de manter condições consistentes durante a comparação das tonalidades.

Por fim, estabeleça uma rotina de conservação e conferência do seu material. Não precisa inventar um sistema complicado, mas procure criar hábitos que sejam possíveis de manter ao longo do tempo.

Talvez você descubra que precisa de um escorredor melhor, de outro lugar para guardar as formas ou de uma iluminação mais adequada sobre a bancada. Talvez perceba que está tudo funcionando bem e que basta tornar alguns cuidados mais frequentes.

Cada espaço possui suas próprias necessidades, e esse olhar atento é justamente o que nos ajuda a encontrar as soluções mais apropriadas.

Quero que vocês compreendam que o cuidado com a produção não é uma exigência que aparece somente quando o negócio cresce. É um hábito que podemos desenvolver desde a primeira receita, mesmo trabalhando em um cantinho pequeno e com poucos recursos.

Ao longo destes capítulos, estamos aprendendo a criar, planejar e produzir. Agora, começamos a olhar também para a maneira como preservamos tudo aquilo que torna essa produção possível.

Porque o carinho que colocamos no artesanal não está somente no momento em que manipulamos os produtos. Ele aparece em cada escolha que fazemos para que o trabalho aconteça da melhor maneira possível, inclusive naquelas que ninguém vê.

Então me conta: qual é o cuidado que você já tem com a sua produção e qual deles percebeu que ainda precisa melhorar?

Quero muito conhecer as soluções que vocês encontraram nos próprios ateliês, porque tenho certeza de que essa troca também pode ajudar muita gente!

Que Deus abençoe vocês e até o próximo episódio.

Beijuuuuuuuuuu!

 

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