SÉRIE – O CAMINHO DO SUCESSO

CAPÍTULO 12: O ACABAMENTO QUE FAZ TODA A DIFERENÇA

Olá, amadas!

Na nossa série, O Caminho do Sucesso, começamos agora a entrar numa etapa muito especial do projeto. Já pensamos no público, construímos o conceito, definimos cores, perfumes, produtos, embalagens, organizamos a compra, preparamos o espaço, produzimos e aprendemos a cuidar de tudo aquilo que participa dessa produção.

Só que existe uma diferença enorme entre terminar uma receita e ter um produto realmente pronto para ser apresentado ao cliente.

É justamente aí que entra o acabamento.

Muitas vezes, a pessoa executa uma receita perfeitamente. O sabonete está perfumado, a cor ficou bonita, o formato saiu da forma como deveria, mas ainda existe uma pequena rebarba, uma marca de dedo, uma embalagem enrugada ou um rótulo colocado de qualquer jeito. Isoladamente, cada detalhe parece pequeno. Quando o cliente olha o produto inteiro, porém, são justamente esses pontos que influenciam a percepção de cuidado.

O acabamento funciona quase como a última revisão antes de entregarmos aquilo que criamos para o mundo. É nessa etapa que olhamos novamente para o produto e perguntamos se existe alguma coisa capaz de tirar a atenção daquilo que fizemos tão bem.

E quanto mais criterioso você se torna com esses detalhes, mais começa a perceber que acabamento não é simplesmente enfeitar. É finalizar corretamente aquilo que foi produzido.

Bora entender mais?!

ANTES DE EMBALAR, OLHE PARA O PRODUTO COMO SE FOSSE O CLIENTE

Quando terminamos uma produção, existe uma tendência natural de olhar para aquilo com carinho. Afinal, fomos nós que fizemos, acompanhamos todas as etapas e sabemos o trabalho que deu para chegar até ali.

Só que agora precisamos mudar um pouco o olhar.

Pegue o produto e tente observá-lo como alguém que acabou de vê-lo pela primeira vez. Existe alguma rebarba? Alguma marca de manipulação? O corte está bem executado? As bordas estão adequadas? O frasco está limpo? Existe resíduo do produto na parte externa? A tampa está corretamente posicionada?

No caso de sabonetes, por exemplo, esse é o momento de revisar o desenforme e realizar os acabamentos necessários, retirando excessos e pequenas imperfeições que tenham surgido. Dependendo da técnica utilizada, pode haver corte, lustro ou outros procedimentos específicos ensinados para aquele produto.

O importante é não partir automaticamente para a embalagem só porque a receita terminou.

Uma marca de dedo que parece insignificante na bancada pode ficar muito evidente quando o produto recebe iluminação e vai para uma fotografia. Uma pequena rebarba pode fazer uma peça artesanal cuidadosamente produzida parecer inacabada. Um aromatizador com resíduo na parte externa do frasco pode passar a impressão de descuido, mesmo que a fragrância esteja maravilhosa.

É por isso que gosto de fazer uma revisão antes de seguir.

Inclusive, uma iluminação adequada ajuda muito nessa hora. No capítulo anterior conversamos sobre como a luz interfere na nossa percepção. Agora podemos utilizá-la justamente para procurar aquilo que precisa ser corrigido antes da embalagem.

Não se trata de buscar uma perfeição impossível. Produtos artesanais carregam características próprias do fazer manual. O que queremos eliminar são falhas de acabamento que poderiam ter sido facilmente corrigidas antes de o produto chegar ao cliente.

A EMBALAGEM BÁSICA TAMBÉM FAZ PARTE DA QUALIDADE

Depois que o produto está revisado, entramos numa outra etapa fundamental: a embalagem que ficará em contato direto com ele ou que terá a função de protegê-lo.

Aqui precisamos lembrar que embalagem não serve apenas para deixar bonito.

Ela participa da conservação, protege o produto e precisa ser compatível com aquilo que estamos embalando.

Nas barras de sabonete, por exemplo, trabalhamos com embalagens apropriadas para esse tipo de produto e procuramos deixar essa proteção o mais discreta e bem acabada possível. Um dos materiais utilizados é o BOPP, um filme de polipropileno que permite envolver a peça e criar uma barreira adequada.

Existe uma dúvida muito comum quando trabalhamos com produtos perfumados: “Mas se eu fechar bem, o cliente não vai sentir o cheiro”.

Minha senhora, é justamente porque o produto está bem embalado que o perfume permanece ali dentro!

A função de uma boa embalagem é justamente evitar que a fragrância se perca enquanto o produto fica exposto. Queremos preservar aquilo que criamos até o momento do uso. Dependendo do material, pode existir alguma passagem de odor, mas não devemos escolher uma embalagem inadequada apenas para que o perfume fique mais evidente na prateleira. Inclusive, existem outras maneiras de perfumar o ambiente de exposição sem comprometer a proteção do produto. Você pode, por exemplo, deixar uma amostra do aromatizador aberta, já com as varetas aplicadas, permitindo que o cliente conheça e interaja com a fragrância enquanto leva para casa um produto totalmente fechado e protegido.

Também existem filmes termoencolhíveis utilizados em determinadas apresentações. Quando corretamente aplicados, eles se ajustam ao produto e criam um acabamento bastante limpo. O importante é conhecer o material, verificar sua compatibilidade com o produto e seguir a forma correta de utilização.

O que realmente não podemos fazer quando o assunto é embalagem é recorrer ao plástico filme doméstico como solução para sabonetes glicerinados. Com o passar dos dias, especialmente em contato com a umidade, característica desse tipo de produto, ele perde a tensão, enruga e compromete justamente aquela aparência que havíamos acabado de cuidar.

Perceba que a decisão sobre embalagem não pode ser apenas estética. Precisamos pensar em proteção, conservação e apresentação ao mesmo tempo.

FRASCOS TAMBÉM PRECISAM PASSAR POR UMA REVISÃO

Esse olhar cuidadoso vale igualmente para produtos envasados.

Depois de produzir um aromatizador, home spray, perfume, sabonete líquido ou qualquer outro produto acondicionado em frasco, observe toda a embalagem antes de avançar para o rótulo e os detalhes decorativos.

Pode ter escorrido uma pequena quantidade de produto durante o envase. Talvez exista algum resíduo próximo à rosca, uma marca no vidro ou até uma gota seca que ficou quase imperceptível enquanto você estava produzindo.

O mesmo acontece com velas em recipientes. O vidro precisa estar visualmente limpo e bem finalizado antes de qualquer outro acabamento.

Nesses casos, utilizamos métodos e materiais adequados para realizar a limpeza externa sem comprometer o conteúdo ou a embalagem. Dependendo da situação, um papel apropriado, uma haste pequena ou outro recurso simples pode ajudar a alcançar determinadas regiões.

O que importa é desenvolver o hábito de revisar cada unidade.

Quando começamos a produzir várias peças iguais, é muito fácil cair no automático. Enche um frasco, fecha, coloca do lado e parte para o próximo. Mas uma boa rotina de acabamento inclui justamente um momento de inspeção antes de avançar.

É muito mais fácil remover um pequeno resíduo agora do que descobrir esse detalhe depois que o rótulo, a fita e todo o acabamento já foram aplicados.

A PADRONIZAÇÃO É O QUE FAZ A COLEÇÃO PARECER UMA COLEÇÃO

Outro ponto muito importante começa a aparecer quando colocamos todos os produtos lado a lado.

Eles parecem realmente pertencer à mesma família?

Ao longo dessa série, falamos bastante sobre isso. Construímos uma imagem de referência, extraímos uma paleta cromática, definimos fragrâncias, escolhemos frascos, tampas e acabamentos. Agora chega o momento de conferir se aquilo que existia no projeto foi preservado durante a execução.

Imagine uma coleção cuja paleta possui verde, creme e dourado. Os produtos não precisam necessariamente ter exatamente a mesma cor, porque estamos trabalhando com uma paleta, e não com um único tom obrigatório. O importante é que as escolhas continuem acontecendo dentro daquele universo.

O mesmo vale para os frascos.

Se você escolheu uma família de embalagens com formas arredondadas, tente preservar essa linguagem sempre que possível. Se a coleção trabalha válvulas douradas, mantenha essa decisão nos produtos em que existir uma opção compatível. Caso determinada embalagem não tenha o mesmo acabamento disponível, talvez uma válvula transparente, por exemplo, seja mais coerente do que introduzir uma nova cor que não aparece em nenhum outro lugar.

É exatamente nessa hora que a imagem de referência volta para a bancada.

Eu gosto muito de trabalhar com essa imagem impressa e próxima da produção porque ela funciona como uma conferência constante. Quando surge alguma dúvida, conseguimos olhar novamente para aquela referência e perceber se a decisão continua pertencendo ao universo que construímos.

Esse cuidado evita um problema bastante comum: cada produto ficar bonito individualmente, mas a coleção inteira parecer formada por peças que vieram de projetos diferentes.

O ACABAMENTO EXTERNO PRECISA CONTINUAR A HISTÓRIA

Depois da embalagem básica e da conferência dos produtos, começamos a nos aproximar daquilo que normalmente pensamos quando ouvimos a palavra “acabamento”: fitas, filetes, flores, tags, etiquetas, papéis, caixas e outros elementos que ajudam a construir a apresentação.

E aqui existe uma regra que já apareceu várias vezes nesta série: o acabamento não pode nascer separado do conceito.

Se sua coleção possui uma proposta botânica, talvez faça sentido trabalhar papéis, elementos naturais, tons orgânicos e uma linguagem gráfica conectada à natureza. Se o conceito é sofisticado e luminoso, outros materiais e acabamentos podem comunicar melhor essa proposta.

Até a decisão de deixar determinado produto mais aparente ou mais protegido visualmente pode fazer parte da linguagem.

Talvez um sabonete seja envolvido por um papel específico. Em outra coleção, faça mais sentido utilizar uma caixa. Em determinados projetos, queremos que o próprio produto apareça como protagonista; em outros, a embalagem externa participa intensamente da experiência.

Não existe uma única maneira correta de fazer. Existe a maneira coerente com o projeto.

E esse é justamente o motivo pelo qual trabalhamos tanto antes de chegar aqui. Nós já pensamos nas cores, materiais e referências. Agora não precisamos entrar numa loja e escolher aleatoriamente a fita mais bonita que encontramos. A compra e o acabamento passam a responder a decisões que foram tomadas anteriormente.

Isso economiza dinheiro e evita excesso de informação.

RÓTULO NÃO É UM ADESIVO COLOCADO NO FINAL

Quando começamos a entrar nos rótulos e etiquetas, chegamos numa etapa que mistura apresentação e informação.

É muito comum deixar essa parte para o final e pensar: “Depois eu faço alguma etiqueta para colocar aqui”.

Só que um rótulo participa diretamente da leitura do produto.

A fonte, as cores, a distribuição das informações, o tamanho e a forma como ele ocupa o frasco precisam conversar com a coleção. Um rótulo enorme pode esconder uma embalagem bonita; um muito pequeno pode dificultar a leitura; uma arte excessivamente trabalhada pode disputar atenção com um produto que já possui muitos elementos decorativos.

No nosso site, disponibilizamos diversos modelos de rótulos gratuitos que podem funcionar como ponto de partida, e ferramentas como o Canva também facilitam muito a criação para quem ainda não trabalha com programas gráficos profissionais.

O importante é não confundir facilidade de ferramenta com falta de critério.

Você pode utilizar um modelo pronto, alterar cores, adaptar textos e construir algo que se aproxime do conceito da sua coleção. Mas precisamos olhar novamente para o projeto e perguntar se aquela linguagem gráfica pertence à história que estamos contando.

E, naturalmente, além da parte visual, os produtos precisam apresentar as informações obrigatórias correspondentes à sua categoria e à legislação aplicável. Beleza não substitui informação correta.

No próximo momento da nossa jornada, vamos aprofundar ainda mais essa apresentação. Por enquanto, quero que vocês compreendam que o rótulo começa a transformar aquilo que produzimos em um produto pronto para ser reconhecido e entendido pelo cliente.

ACABAMENTO DÁ TRABALHO, MAS É PARTE DO PRODUTO

Existe uma coisa que precisamos falar com bastante clareza: um bom acabamento exige tempo.

Depois de produzir, você ainda precisará revisar as peças, limpar embalagens, organizar rótulos, cortar etiquetas, posicionar tudo corretamente e finalizar cada unidade. Dependendo da coleção, essa etapa pode ocupar uma parte considerável do processo.

Por isso, ela também precisa entrar no planejamento.

Quando calculamos quanto conseguimos produzir por dia, não podemos considerar somente o tempo da receita. Um lote pode ser rápido de manipular e demorar bastante para ser finalizado individualmente. Se existem vinte frascos que receberão rótulo, fita e tag, isso também representa horas de trabalho.

Esse tempo faz parte do valor do produto.

Assim como entram matéria-prima, embalagem e fragrância, existe ali um trabalho manual que transforma cada unidade em algo pronto para venda.

Quanto mais complexa for a apresentação, maior tende a ser esse investimento de tempo. Isso não significa que precisamos colocar dez elementos em cada produto para justificar seu valor. Muitas vezes, um acabamento simples, muito bem executado e coerente com o conceito comunica mais profissionalismo do que uma embalagem carregada de detalhes.

O importante é que aquilo que você escolheu seja possível de executar com qualidade e de repetir quando precisar produzir novamente.

COLOQUE TUDO LADO A LADO E FAÇA UMA CONFERÊNCIA FINAL

Chegamos agora a um exercício que considero extremamente importante.

Depois de finalizar as primeiras unidades da coleção, coloque os produtos juntos.

Não avalie apenas um sabonete ou um aromatizador isoladamente. Observe a família.

  • As cores conversam?
  • As embalagens parecem pertencer ao mesmo projeto?
  • Existe algum acabamento que está chamando atenção demais?
  • Os rótulos possuem uma linguagem coerente?
  • As tampas e válvulas mantêm uma direção visual?
  • Existe alguma unidade em que uma fita está torta, um rótulo ficou desalinhado ou a embalagem básica poderia estar mais bem executada?

Essa conferência é muito mais eficiente quando fazemos uma primeira montagem antes de finalizar toda a produção. Se você perceber algum ajuste necessário, consegue corrigir o padrão e aplicar essa decisão nas unidades seguintes.

Use novamente sua imagem de referência. Coloque-a próxima dos produtos e observe se a coleção que está diante de você continua transmitindo aquilo que imaginou no início do projeto.

Esse exercício é muito interessante porque mostra como todas as etapas anteriores começam a aparecer juntas.

A cor que escolhemos meses atrás está ali. O formato dos frascos está ali. A fragrância está ali. A embalagem está ali.

E agora o acabamento começa a ligar tudo isso visualmente.

CAPRICHO NÃO É EXCESSO, É INTENÇÃO

Quero terminar este capítulo voltando para uma palavra que utilizo muito quando falo de artesanal: capricho.

Capricho não significa cobrir tudo de fita, flor, laço e dourado. Também não significa perseguir uma perfeição impossível ou apagar completamente a característica manual dos produtos.

Capricho significa não entregar de qualquer jeito aquilo que você poderia entregar melhor.

Se existe uma rebarba que pode ser retirada, retire. Se o frasco está marcado, limpe. Se o rótulo ficou torto, refaça. Se a embalagem escolhida não está preservando bem o produto, procure uma alternativa mais adequada. E, se algum elemento decorativo não pertence ao conceito, não o utilize apenas porque você já comprou.

É essa soma de decisões conscientes que faz alguém pegar seu produto na mão e perceber que existe ali um trabalho sério.

O cliente talvez não saiba explicar por que aquela coleção parece tão bem resolvida. Ele não conhece nosso pino de cor, não viu nossa imagem de referência e não acompanhou todas as decisões que tomamos durante o projeto. Mas ele consegue perceber quando existe coerência e quando o cuidado chegou até o último detalhe.

Então, antes de considerar sua produção pronta, faça essa revisão.

Olhe de frente, de lado e também atrás, porque o cliente também vai virar o produto na mão. Confira embalagem, limpeza, acabamento e padronização, deixando suas referências por perto para garantir que aquilo que imaginamos durante tantos capítulos finalmente chegou inteiro até o produto.

Essa etapa vai exigir um pouco mais de tempo e talvez algum investimento em materiais, mas ela faz parte da construção de valor daquilo que você vende.

E ainda temos muito para conversar sobre apresentação, porque agora vamos começar a entrar cada vez mais fundo nos rótulos, nas caixas e naquele acabamento final que transforma todos esses produtos numa coleção pronta para encantar.

Então capricha por aí, combinado?!

Que Deus abençoe vocês e até o próximo episódio.

Beijuuuuuuuuuu!

 

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