SÉRIE – O CAMINHO DO SUCESSO
CAPÍTULO 6: ESCOLHA DOS PRODUTOS E PROPRIEDADES
Olá, amadas!
Está no ar mais um capítulo da nossa série O Caminho do Sucesso, e eu já quero começar com uma pergunta: vocês entenderam de verdade o episódio anterior sobre a criação da identidade olfativa?
Entenderam a importância daquele briefing, da descrição da persona, da imagem de referência e de tudo aquilo que queremos transmitir com a coleção? Conseguiram imaginar qual sensação essa pessoa deve sentir ao entrar em contato com o perfume que criamos?
Eu pergunto porque todas essas etapas estão completamente conectadas.
No capítulo anterior, vimos que a criação olfativa começa muito antes de abrimos um frasco de essência. Ela começa quando imaginamos a vida da persona, entendemos o que queremos provocar e transformamos essas informações em uma direção sensorial.
Agora vamos dar mais um passo.
Já temos uma pessoa, uma história, uma imagem, uma paleta cromática e uma identidade olfativa. Chegou o momento de decidir quais produtos realmente devem fazer parte dessa coleção.
E essa escolha é muito mais importante do que parece.
Uma coleção não precisa reunir tudo aquilo que você sabe produzir. Ela precisa reunir os produtos que fazem sentido para a pessoa que você decidiu atender, para a rotina que imaginou e para a experiência que deseja criar.
Então bora comigo aprender esse raciocínio!
UMA COLEÇÃO NÃO É UM MONTE DE PRODUTOS
Quando começamos a desenvolver uma linha, é muito comum surgir aquela vontade de colocar tudo dentro dela. Um sabonete, um creme, um perfume, um body splash, um difusor, uma vela, um home spray, mais alguma coisa para banho, alguma coisa para casa…
Minha senhora, calma! Respira…(rsrsrs)
Quanto mais produtos colocamos em uma coleção, mais decisões precisamos tomar, mais matérias-primas entram no projeto, mais embalagens precisamos comprar e maior fica a responsabilidade de fazer com que tudo converse.
Por isso, uma das primeiras orientações desta série foi justamente diminuir a quantidade de produtos no início.
Isso não significa pensar pequeno. Significa concentrar todo o seu potencial em uma coleção mais enxuta e muito bem construída. Eu prefiro ver você desenvolvendo quatro produtos que tenham sentido, função e identidade do que dez produtos colocados lado a lado apenas para dar volume à linha.
A pergunta que precisamos fazer agora é muito simples: quais produtos essa pessoa realmente usaria?
Volte para a persona que você criou.
Como é a rotina dela? Como ela começa o dia? O que acontece quando chega em casa? Ela gosta de cuidar da casa? Valoriza o banho? Usa perfume diariamente? Gosta de produtos para o corpo? Tem o hábito de acender uma vela? Perfuma a cama antes de dormir?
Essas respostas começam a revelar quais produtos possuem espaço verdadeiro dentro da coleção.
PENSE NA COLEÇÃO COMO UM RITUAL
Existe uma forma muito interessante de pensar na seleção dos produtos: imaginar que eles serão utilizados como uma sequência, quase como uma cascata de experiências ao longo do dia.
Talvez a pessoa chegue em casa e seja recebida pelo perfume de um difusor na sala. Depois, vá tomar banho e utilize o sabonete da coleção. Ao sair, aplique um produto para a pele ou um perfume. Mais tarde, antes de deitar, use uma água para lençóis na cama. Abre uma gaveta e encontra ali um sachê perfumado.
Percebe o que aconteceu?
Os produtos que essa pessoa costuma usar constroem uma experiência e é isso que eu quero que vocês comecem a enxergar.
Quando uma coleção é pensada de forma inteligente, os produtos podem acompanhar diferentes momentos da rotina e criar um ritual de bem-estar. Um complementa o outro, e cada novo contato reforça o perfume e a identidade da linha.
Esse ritual também ajuda o cliente a compreender melhor a proposta.
Ele não olha só para o sabonete, para o aromatizador ou para uma vela. Ele começa a visualizar como aqueles produtos podem trazer bem estar para a vida dele.
E quanto mais fácil for imaginar o uso, maior será a chance de aquela coleção realmente sair da prateleira e entrar na rotina.
O PRODUTO PRECISA TER CONEXÃO COM A VIDA DA PERSONA
Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes desta etapa: quais produtos têm mais conexão com a pessoa para quem estou criando?
Existe um fator muito forte na escolha de qualquer produto: FAMILIARIDADE.
Quando alguém reconhece o produto, entende sua função e sabe como utilizá-lo, existe naturalmente mais segurança na compra.
Sabonete, perfume, creme ou aromatizador são exemplos de produtos que muitas pessoas já conhecem e sabem inserir na rotina. Outros produtos podem exigir mais explicação e uma comunicação mais cuidadosa.
Isso não significa que devemos abandonar tudo aquilo que é diferente ou criativo. Pelo contrário. Produtos mais lúdicos podem ser maravilhosos e se transformar em grandes destaques de uma coleção.
Mas precisamos entender que, quanto menos familiar for o produto, maior será a nossa responsabilidade de mostrar como ele funciona.
Uma vela é um ótimo exemplo.
Nós podemos criar uma vela maravilhosa, com uma fragrância deliciosa e uma embalagem impecável. Mas, se o cliente ainda não possui o hábito de acender velas, precisamos ajudá-lo a imaginar esse momento.
Mostre uma sala acolhedora com a vela acesa. Mostre um banho acompanhado daquela luz. Mostre um jantar, uma leitura, um momento de descanso ou um fim de tarde.
A comunicação precisa ensinar a experiência.
Quanto mais mostramos o produto sendo utilizado, mais fácil se torna para a pessoa compreender como ele pode entrar na própria vida.
Isso vale para todos os itens da coleção.
A EXPERIÊNCIA DE USO TAMBÉM FAZ PARTE DA VENDA
Existe uma diferença enorme entre comprar um produto e realmente utilizá-lo.
Às vezes, a pessoa compra porque achou bonito, porque gostou da embalagem ou porque recebeu de presente. Mas o verdadeiro relacionamento com aquele produto começa quando ela usa.
É durante o uso que o produto realmente revela a experiência que foi pensada para ele. No banho, o sabonete mostra sua textura, seu perfume e a sensação que deixa na pele; quando a pessoa borrifa o perfume, aquela fragrância começa a se conectar à rotina e às memórias dela; quando acende uma vela e percebe como o aroma transforma o ambiente, entende de verdade a proposta daquele produto.
É nesse contato que a coleção passa a ser vivida. E quanto mais positiva for essa experiência, maior também será a chance de o cliente criar vínculo com o produto, desejar utilizá-lo novamente e, consequentemente, voltar a comprar.
Por isso, nós precisamos incentivar nossos clientes a utilizarem aquilo que compram.
Durante muito tempo, algumas pessoas tinham aquele pensamento de “ai, que dó de usar”. Guardavam o sabonete bonito, deixavam a vela intacta ou economizavam demais um produto porque ele parecia especial.
O nosso trabalho também é mostrar que aquele produto foi criado para ser vivido.
Quanto mais o cliente usa, mais ele entende a proposta, conhece suas características e cria uma relação real com a coleção.
E esse relacionamento é muito mais valioso do que ter um produto bonito parado em uma prateleira.
DEPOIS DOS PRODUTOS, COMEÇAMOS A PENSAR NAS PROPRIEDADES
Depois de selecionar os produtos que irão compor a coleção, eu gosto de começar uma pré-seleção das propriedades que poderão acompanhá-los. É aqui que entram os extratos, óleos, manteigas e outros elementos que façam sentido dentro do projeto, como argilas ou esfoliantes naturais. Mas perceba como existe uma ordem nessa construção: primeiro entendemos a pessoa que queremos atender, depois construímos sua história, escolhemos a imagem de referência, definimos as cores, criamos a identidade olfativa e selecionamos os produtos. Só então começamos a pensar nas propriedades que poderão complementar essa linha.
Respeitar essa sequência evita uma situação muito comum, que é escolher um ativo simplesmente porque gostamos dele e depois tentar encaixá-lo à força no conceito. Se o briefing descreve uma pessoa que busca mais conforto, suavidade ou hidratação, por exemplo, podemos procurar propriedades que conversem com essa necessidade. Se estamos trabalhando uma coleção de inspiração botânica, podemos buscar elementos naturais que também reforcem essa atmosfera. O importante é que a escolha tenha intenção. Em vez de pensar apenas “qual extrato eu gosto?”, comece a se perguntar: qual propriedade faz sentido para esta pessoa, neste produto e dentro desta coleção?
FUNÇÃO, COR E CONCEITO PRECISAM SER PENSADOS JUNTOS
Na hora de escolher essas propriedades, porém, não podemos observar apenas sua função. A própria coloração da matéria-prima também pode interferir diretamente no resultado final do produto. Alguns extratos apresentam tonalidades mais claras, outros são naturalmente mais escuros e concentrados, e óleos e manteigas também possuem cores próprias. Dependendo da base e da quantidade utilizada, tudo isso pode modificar visualmente aquilo que havíamos planejado.
Imagine que você desenvolveu uma coleção inteira em um azul muito claro. A paleta já está definida e toda a identidade foi pensada para transmitir leveza. Se, na hora de formular um creme, você escolher uma matéria-prima naturalmente amarelada, aquele azul poderá caminhar para um verde. Percebe como uma decisão tomada apenas pela propriedade pode interferir em uma escolha que fizemos lá atrás, durante a definição das cores?
É justamente por isso que um projeto bem elaborado evita tantos perrengues na produção. Quando pensamos nessas interferências com antecedência, conseguimos testar alternativas e selecionar as matérias-primas com muito mais consciência.
Em algumas coleções, inclusive, a cor natural de um extrato, óleo ou manteiga pode trabalhar a nosso favor. Se estamos desenvolvendo tons amarelados, avermelhados ou terrosos, determinados ingredientes podem contribuir para chegar ao resultado desejado. Tudo depende da proposta. O importante é aprender a enxergar cada escolha como parte de um conjunto, porque uma decisão quase nunca interfere apenas em uma única etapa.
Existe ainda outro detalhe muito interessante nessa seleção: o nome e a imagem que cada propriedade desperta também participam da história que estamos contando. Quando apresentamos um produto, falar sobre um extrato ou uma manteiga automaticamente cria uma referência na cabeça do cliente.
Pense, por exemplo, em uma coleção extremamente delicada e floral na qual escolhemos um extrato de pepino. Tecnicamente, aquela propriedade pode ser interessante, mas o próprio nome já nos transporta para um universo verde, fresco e completamente diferente. Em alguns projetos essa associação será perfeita; em outros, poderá quebrar a narrativa.
Não estou dizendo, é claro, que devemos escolher uma matéria-prima apenas porque seu nome é bonito. A função precisa vir primeiro. Mas, quando temos mais de uma possibilidade adequada para alcançar o resultado desejado, vale observar qual delas também conversa melhor com a identidade e com a linguagem da coleção. São esses pequenos cuidados que tornam o projeto cada vez mais coerente.
Também não precisamos imaginar que todos os produtos da linha terão exatamente as mesmas propriedades. Cada item possui uma função e uma forma de utilização, então talvez determinado extrato faça sentido no sabonete e em um produto corporal, enquanto um elemento diferente funcione melhor em uma proposta de esfoliação. Uma manteiga pode ser maravilhosa para alguns itens e simplesmente não ter função em outros.
A coleção precisa manter uma identidade comum, mas coerência não significa repetição automática. O que une essa família é o conceito: os produtos podem compartilhar a atmosfera, a identidade olfativa, as cores e a história, enquanto suas propriedades são escolhidas de acordo com a função de cada um.
PENSAR ANTES REDUZ ERROS DEPOIS
Talvez agora esteja ficando ainda mais claro porque eu insisto tanto em construir todas essas etapas antes de irmos para a produção. Quando fazemos um projeto profissional, muitas decisões importantes já são resolvidas no papel.
Sabemos para quem estamos criando, definimos o perfume, entendemos a paleta cromática, escolhemos os produtos e começamos a selecionar suas propriedades. Quando chegarmos à lista de compras, teremos muito mais clareza sobre aquilo que realmente precisamos.
Isso reduz as compras por impulso, diminui a chance de adquirir materiais que depois ficarão parados e evita que problemas importantes sejam descobertos apenas quando a produção já começou. Sempre digo que é muito mais fácil mudar uma ideia no projeto do que descobrir uma incompatibilidade depois de comprar e colocar tudo na bancada.
Esse é um dos grandes objetivos do Caminho do Sucesso.
Eu não quero apenas ensinar vocês a terem boas ideias. Quero mostrar como transformar essas ideias em um método de trabalho mais organizado e consciente, no qual cada decisão prepara o caminho para a próxima.
ORGANIZE OS PRODUTOS EM UMA CASCATA DE EXPERIÊNCIAS
Agora, quero propor um exercício muito gostoso.
Pegue a persona que você desenvolveu e imagine um dia na vida dela, começando pela manhã e seguindo até o momento de dormir. Pense em quais situações a sua coleção poderia aparecer naturalmente. Talvez exista um produto no banho, outro após o banho, alguma experiência antes de sair de casa, um perfume no carro, um aroma que recebe essa pessoa quando ela volta ou um produto que participa do momento de descanso no fim do dia.
Não precisamos preencher todos esses espaços, porque o objetivo definitivamente não é transformar a rotina da pessoa em um catálogo da nossa marca.
Esse exercício serve justamente para descobrir onde os nossos produtos cabem de verdade. A partir daí, organize-os em uma sequência possível de uso e observe como um pode complementar o outro, construindo aquela cascata de experiências que falamos no começo deste capítulo.
Talvez sua coleção tenha três produtos, talvez quatro ou cinco. O número importa muito menos do que a conexão existente entre eles. O que eu quero é que você consiga olhar para essa sequência e perceber que existe um ritual possível, no qual cada item tem uma função e ajuda a ampliar a experiência criada pelo anterior.
Depois, comece a pensar nas propriedades de cada produto. Quais extratos, óleos, manteigas ou outros elementos naturais conversam com o briefing? Quais características fazem sentido para aquela formulação? A coloração interfere na paleta que já definimos? O nome daquele ingrediente também consegue conviver bem com a história da coleção?
Nada precisa estar completamente fechado neste primeiro momento. Você ainda poderá estudar, testar, riscar e mudar de ideia. O projeto existe justamente para permitir que essas decisões sejam amadurecidas antes de chegarmos à produção.
Nos próximos capítulos, continuaremos avançando e transformando esse projeto em uma coleção cada vez mais completa. Então bora fazer esse exercício com atenção, combinado?!
Que Deus abençoe vocês e até o próximo episódio.
Beijuuuuuuuuuu!



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