SÉRIE – O CAMINHO DO SUCESSO
CAPÍTULO 7: ESCOLHA DOS FRASCOS E ACABAMENTOS
Olá, amadas!
Está no ar mais um capítulo da nossa série O Caminho do Sucesso, e agora o nosso projeto começa a ganhar uma aparência cada vez mais próxima daquilo que um dia estará diante do cliente.
No episódio anterior, escolhemos os produtos que irão compor a coleção e começamos a pensar nas propriedades que fazem sentido para cada um deles. Já definimos quem é a nossa persona, qual história queremos contar, escolhemos uma imagem de referência, construímos a paleta cromática, pensamos na identidade olfativa e entendemos quais produtos realmente possuem espaço na rotina dessa pessoa.
É justamente por isso que insisto tanto na importância de desenvolver o projeto antes de sair comprando materiais. Quando planejamos a coleção com atenção, conseguimos prever necessidades, comparar possibilidades e tomar decisões com muito mais segurança. Isso melhora o resultado estético, mas também interfere diretamente na saúde financeira do negócio, porque uma compra errada pode significar dinheiro parado em estoque.
E, minha senhora, estoque alto de coisa que você não usa não é patrimônio, viu? É dinheiro parado olhando para você da prateleira.
Hoje vamos trabalhar justamente uma dessas decisões que parecem simples, mas podem transformar completamente a leitura de uma coleção: a escolha dos frascos e dos acabamentos.
Bora lá?!
O FRASCO TAMBÉM CONTA A HISTÓRIA
Quando pensamos em embalagem, é muito comum começar pela capacidade: preciso de um frasco de 100 ml, 200 ml, 250 ml. Essa informação obviamente é importante, mas ela não pode ser a única.
Também precisamos observar o desenho desse frasco.
Ele possui linhas retas ou arredondadas? É mais robusto ou delicado? Tem muitos detalhes ou uma aparência mais limpa? É clássico, contemporâneo, romântico, rústico, minimalista?
Essas características também comunicam.
Imagine que toda a sua coleção tenha sido construída sobre uma referência bastante moderna, com linhas retas, poucos elementos, uma paleta sóbria e uma estética muito clean. Você seleciona frascos quadrados ou retangulares para quase todos os produtos e, no meio dessa família, coloca um frasco extremamente arredondado, cheio de curvas e detalhes decorativos.
Pode ser um frasco lindo. Mas talvez não pertença àquela coleção.
Não basta analisar cada embalagem isoladamente e perguntar se ela é bonita. Precisamos colocá-la mentalmente ao lado de todos os outros elementos e perguntar: ela parece fazer parte desta história?
Em uma coleção romântica ou clássica, por exemplo, um frasco trabalhado, com curvas ou detalhes que lembrem um desenho mais antigo pode funcionar perfeitamente. Em outra proposta, talvez precisemos de superfícies lisas, linhas limpas e poucos elementos. Uma coleção orgânica pode aceitar formas mais suaves e materiais que tragam naturalidade, enquanto uma identidade urbana pode pedir desenhos mais geométricos e acabamentos precisos.
Não existe um formato universalmente certo. Existe o formato certo para o conceito que você construiu.
OS FRASCOS PRECISAM PARECER PARTE DA MESMA FAMÍLIA
Isso não significa que todos os produtos precisam estar exatamente na mesma embalagem. Afinal, cada formulação possui suas próprias necessidades e nem sempre encontraremos o mesmo desenho disponível em todas as capacidades e sistemas de fechamento.
O que precisamos buscar é uma harmonia visual.
Se a maior parte da linha trabalha com formas retas, tente manter essa linguagem nos demais produtos. Se escolheu uma família bastante arredondada e delicada, procure soluções que sigam essa direção. Talvez os frascos não sejam idênticos, mas precisam possuir características que permitam enxergá-los juntos sem causar estranhamento.
Pense em uma família de pessoas. Ninguém é exatamente igual ao outro, mas existem traços que fazem com que você reconheça uma conexão entre elas. Com os produtos acontece algo parecido.
O formato, a cor das tampas, o estilo das válvulas, os rótulos e os acabamentos ajudam a criar essa sensação de pertencimento.
E é aqui que precisamos tomar cuidado com aquela famosa solução do “vou usar porque já tenho”.
Às vezes, o material que está no estoque realmente funciona e isso é ótimo. Mas a simples existência de uma embalagem na sua prateleira não significa que ela seja adequada ao novo projeto. Usá-la apenas para aproveitar o que sobrou pode inserir um elemento completamente diferente e comprometer uma coleção que vinha sendo construída com muito cuidado.
Antes de decidir, coloque mentalmente aquele frasco dentro da imagem que você criou. Imagine todos os produtos juntos, fotografados sobre o mesmo cenário. Ainda parece uma família?
Se a resposta for não, precisamos procurar outra solução.
O ACABAMENTO PODE MUDAR COMPLETAMENTE A LEITURA
O mesmo raciocínio vale para tampas, válvulas, pumps e outros acabamentos.
Uma pequena mudança de cor pode alterar bastante a percepção do produto.
Lembro de uma aluna que me mostrou um kit masculino muito bem desenvolvido. A coleção trabalhava um azul mais profundo, próximo de um petróleo, com uma atmosfera séria e elegante. Porém, um dos frascos tinha uma tampa em um azul muito vivo, quase um azul “caneta bic”.
Ela me perguntou o que eu achava e pediu sinceridade.
Eu disse que o kit estava muito legal, mas aquela tampa não conversava com o restante. Uma opção preta ou transparente teria preservado muito melhor a proposta.
E sabe o melhor? Ela tinha a tampa preta.
Esse exemplo é simples, mas mostra exatamente por que cada detalhe precisa ser observado. Não havia problema no produto, no frasco ou na ideia da coleção. Um único item de acabamento estava levando o olhar para outro caminho.
A mesma atenção vale para dourado, prata, rosé, preto, branco, madeira ou transparente. Não precisamos obrigatoriamente utilizar a mesma cor de fechamento em todos os itens, principalmente quando determinados modelos não estão disponíveis. Podemos combinar acabamentos, desde que essa combinação tenha lógica dentro da identidade.
Um dourado pode conversar muito bem com um transparente em determinada coleção. Em outra, dourado e rosé juntos podem criar uma informação que não estava prevista. O importante é olhar novamente para a paleta e para a atmosfera do projeto antes de decidir.
Não é uma questão de decorar regras sobre quais metais combinam entre si. É uma questão de treinar o olhar para perceber se aquele acabamento reforça ou interrompe a história.
“NÃO ACHEI” TAMBÉM FAZ PARTE DO PROJETO
Em algum momento, você vai escolher um frasco perfeito no papel e descobrir que não encontra aquele modelo no tamanho necessário.
Vai imaginar uma fita em determinado tom e encontrar dez opções parecidas, mas nenhuma exatamente como aquela.
Vai sonhar com uma flor para o acabamento e perceber que a cor disponível não conversa com a referência.
Isso faz parte.
É justamente para resolver essas questões que estamos trabalhando tudo antes da produção.
Recentemente, ouvi uma situação muito parecida: a pessoa havia escolhido uma imagem maravilhosa para uma coleção de Dia das Mães, mas não conseguia encontrar a flor decorativa na cor que precisava. Ela trouxe outra opção completamente diferente e perguntou se poderia substituir.
Poder, pode. Mas precisamos entender o que acontece com o conceito quando fazemos essa troca.
Se aquela flor e aquela cor são fundamentais para a identidade que você desenvolveu, talvez seja necessário continuar procurando. Pesquise fornecedores, visite lojas, compare opções e veja o que o mercado oferece. Se perceber que aquele elemento realmente não existe ou se tornou inviável para o projeto, aí sim podemos rever a escolha e fazer uma adaptação consciente.
O que não devemos fazer é substituir automaticamente por “qualquer coisa parecida” apenas para resolver rapidamente.
Porque uma troca leva a outra.
Você não encontrou a flor e mudou a cor. Depois a fita já não combina. Então muda a fita. O rótulo estava baseado na paleta anterior e também precisa mudar. Quando percebe, aquela imagem de referência que deveria orientar o projeto já não possui quase nenhuma relação com a coleção.
É exatamente esse efeito dominó que queremos evitar.
ADAPTAR É DIFERENTE DE IMPROVISAR
Quero deixar isso muito claro porque um projeto profissional não precisa ser rígido.
Podemos adaptar.
Talvez você não encontre o frasco quadrado que imaginou, mas descubra outro modelo com linhas retas e uma linguagem muito próxima. Talvez a válvula na cor desejada não exista, porém uma opção transparente resolva perfeitamente sem interferir na proposta. Isso é adaptação.
Improviso é perceber que determinado elemento não funciona e utilizá-lo mesmo assim apenas porque estava disponível.
Quando adaptamos, olhamos novamente para o conjunto e procuramos outra solução capaz de preservar a identidade. Quando improvisamos sem critério, resolvemos um problema imediato e criamos uma incoerência no projeto.
E aqui entra novamente a importância da imagem de referência, da paleta e de tudo aquilo que construímos nos capítulos anteriores. Esses elementos funcionam como uma espécie de régua. Sempre que surgir uma dúvida, voltamos para eles e perguntamos: essa nova escolha ainda pertence ao universo que criamos?
O RÓTULO COMEÇA A SER IMAGINADO AGORA
Nesta etapa, ainda não precisamos finalizar os rótulos da coleção, mas já podemos começar a imaginar sua linguagem.
Observe novamente o conceito.
Esse rótulo pede uma tipografia mais clássica ou moderna? Terá ilustrações, flores ou elementos botânicos? Será mais limpo, deixando espaço para o próprio produto aparecer? Terá uma arte mais trabalhada? Como as cores serão distribuídas?
Pensar nisso agora ajuda porque o rótulo não existe separado do frasco. O formato da embalagem determina a área disponível, interfere na proporção da arte e muda a maneira como a informação será percebida.
Um desenho que funciona lindamente em um frasco baixo e largo pode não funcionar em outro alto e estreito. Uma arte muito detalhada pode ficar maravilhosa em determinada embalagem e excessiva em outra que já possui bastante informação visual.
Por isso, mesmo que o rótulo definitivo seja criado mais adiante, comece a reunir referências. Observe estilos, salve ideias e tente visualizar como aquela linguagem poderá aparecer nos frascos que você está selecionando.
Essa antecipação evita que a identidade gráfica seja pensada somente no final, quando todas as embalagens já foram compradas e as possibilidades estão mais limitadas.
FITAS, FLORES E DETALHES NÃO SÃO APENAS ENFEITES
Depois dos frascos, tampas e rótulos, começam a aparecer aqueles elementos que muitas vezes chamamos simplesmente de acabamento: fitas, laços, flores, tags, tecidos, cordões, pingentes e outros detalhes decorativos.
E aqui vale exatamente a mesma lógica. Cada elemento precisa ter uma razão para estar ali.
Se a coleção é minimalista, um grande laço cheio de volumes é informação demais. Se a proposta é rústica, uma fita extremamente brilhante pode levar a leitura para outro universo. Se estamos trabalhando uma linha delicada e natural, talvez uma flor ou um detalhe botânico tenha sentido, mas precisamos observar novamente sua espécie, sua cor e sua proporção.
Até o tipo de laço comunica.
Um acabamento estruturado pode transmitir uma sensação diferente de uma amarração mais solta e orgânica. Um cordão de aparência natural tem uma linguagem diferente de uma fita acetinada. Nenhuma opção é melhor por si só; cada uma produz uma leitura.
O erro acontece quando chegamos a essa etapa e pensamos: “vou colocar essa fita porque é a que eu tenho”.
E lá vem o estoque querendo mandar no projeto novamente né?! (rsrsrs)
Primeiro vem o conceito. Depois verificamos se aquilo que já possuímos consegue atendê-lo. Quando consegue, maravilhoso. Quando não consegue, precisamos decidir conscientemente se vale comprar outra opção ou adaptar o projeto sem perder sua essência.
É AGORA QUE A COLEÇÃO COMEÇA A APARECER DIANTE DOS SEUS OLHOS
Essa é uma etapa muito gostosa porque tudo aquilo que até agora existia principalmente como ideia começa a ganhar forma.
Você já sabe quais produtos pretende produzir. Agora começa a imaginar seus frascos, as tampas, as válvulas, os rótulos e os acabamentos. Aos poucos, consegue visualizar essa família inteira diante de você.
E esse é um ótimo momento para fazer um exercício simples: coloque todas essas escolhas lado a lado no seu projeto.
Você pode usar imagens dos frascos que pretende comprar, referências de acabamentos, amostras das cores e exemplos do estilo de rótulo. Não precisa criar uma apresentação perfeita; a ideia é conseguir olhar para o conjunto.
Quando enxergamos tudo ao mesmo tempo, incoerências que isoladamente pareciam pequenas começam a aparecer.
Talvez aquele frasco seja bonito, mas esteja sofisticado demais para uma coleção leve e natural. Talvez a válvula dourada esteja chamando atenção demais. Talvez existam formatos diferentes demais entre os produtos. Ou talvez você olhe para tudo e perceba que finalmente aquela imagem que estava apenas na sua cabeça está começando a existir.
Esse exercício também prepara uma das etapas mais importantes que teremos pela frente: a lista de compras.
Quando sabemos exatamente quais produtos serão feitos, quais frascos serão utilizados, quais acabamentos precisamos e quais materiais realmente pertencem à coleção, conseguimos comprar com muito mais consciência.
E consciência na compra significa menos desperdício, menos estoque parado e mais controle financeiro.
Ao longo dessa série “Caminho do Sucesso”, estamos aprendendo que uma coleção profissional é construída pelo cuidado dedicado a muitas pequenas escolhas.
Pesquise, compare e faça adaptações quando forem necessárias. O projeto ainda é o melhor lugar para mudar de ideia. Daqui a pouco chegaremos à produção, e quanto mais decisões resolvermos agora, menor será a chance de comprar errado.
No próximo capítulo, vamos falar justamente sobre isso: como montar uma lista de compras inteligente e econômica, usando tudo aquilo que construímos até aqui para comprar com mais consciência e muito mais segurança.
Quero que vocês olhem para a coleção e consigam começar a enxergá-la pronta, mesmo que ela ainda exista apenas no projeto.
Nos vemos no próximo episódio!
Beijuuuuuuuuuu!



Deixe uma resposta
Want to join the discussion?Feel free to contribute!